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Projeto radiante

Exposição de arte da revista A Estrela na Galeria SESIMINAS reflete o olhar de pessoas em detenção

Estão iluminando a Galeria de Artes do Centro Cultural SESIMINAS BH, a partir de hoje, 2/12/17 (até 4/2/18), belas obras em fotografia, poesia e crônica, que também figuram nas páginas da brilhante revista A Estrela.

A revista, já na 5ª edição, é o resultado de um projeto ousado e muito direto, que tem por intenção “dar voz às pessoas que se encontram privadas de liberdade”, comunica o fotógrafo Léo Drumond, idealizador da empreitada em parceria com a jornalista Natália Martino. O nome foi resgatado de uma revista que circulou na década de 1940, com proposta semelhante.

O projeto leva oficinas e ferramentas de comunicação para dentro de unidades prisionais — fotografia, vídeo, narrativas textuais — e, Natália completa: “material que a imprensa produz sobre a população carcerária. Depois a gente discute isso com os recuperandos e, a partir de então, os convoca a tomar o lugar da palavra. Agora são eles, e não os jornalistas, a falar de si”.

Eles fazem uma reunião de pauta, definem quais os temas de suas vidas querem abordar, votam e priorizam. O projeto disponibiliza cinco kits com câmeras fotográficas e eles vão a campo. Voltam com textos manuscritos. Depois são digitados e editados. As fotos são selecionadas e editadas. Como numa pequena redação. A revista então é produzida e o primeiro lançamento é sempre feito na unidade prisional. Depois são lançadas em outros lugares e distribuídas. O Instituto Minas Pela Paz, parceiro do Sistema FIEMG, que nasceu ali no Centro Cultural SESIMINAS, é também um parceiro d’A Estrela e distribui a revista pelo Poder Judiciário e no Executivo. Lançam também em Festivais de Fotografia e outros lugares.

A revista acontece nos moldes de uma produção jornalística, mas o resultado tem o brilho de uma revista de arte. É uma iniciativa notável em muitos aspectos, mas um salta aos olhos. As pessoas hoje privadas de liberdade não são subestimadas ou reduzidas; ao contrário, é um projeto que trabalha o protagonismo. Elas são os protagonistas de suas próprias histórias. Os relatos sinceros em primeira pessoa e a sensibilidade nas fotografias refletem as pessoas que ali estão por trás das lentes e narrativas e, apenas por ora, das grades.

A Estrela aos olhos de todos

A abertura da Exposição teve sua primeira parte no Teatro de Bolso (o contrário do tamanho da revista, grandinha, formato quase A3), com as boas-vindas da receptiva Karla Bittar, gerente do Centro Cultural. Em seguida, o agradecimento dos idealizadores aos envolvidos, muitas pessoas e entidades, como é preciso num projeto ousado de transformação social. Depois, a voz audível em relatos na mesa redonda, com a mediação de Daniela Fazzion, representante da diretoria da APAC de São João del Rei, Rodrigo Machado, diretor da Dutra Ladeira, e os apenados envolvidos no projeto Karine, Jennifer e Wellington Paixão.

Wellington conta que depois de seis vezes preso, com pena de 20 anos de cadeia, nunca havia pensado em mudança. Mas hoje tem foco e tem ideais. Ele toma para si um dos lemas da instituição: ”A APAC dá o suporte, mas quem muda é o recuperando”.

André Gustavo, da APAC de São João del Rei, participou como fotógrafo da 2ª edição. Ele acaba de deixar o presídio, ainda em liberdade condicional, e compartilha: “Achei ótimo fazer parte, eu gosto de tecnologia, de estar por trás das câmeras. Cada momento é oportunidade pra criar uma foto.” Ele ressalta que o conhecimento adquirido no projeto vai ajudá-lo a ter mais oportunidade, a partir de agora, de trabalhar em áreas que antes não eram opções. Ele ainda comenta da satisfação de as pessoas passarem a conhecê-lo por terem gostado de seu trabalho.

Ernani Paulo e Raimundo, de São João, participaram do projeto com fotografia, texto, entrevistas, desenhos e em oficinas de teatro. "Achei importante, nunca havia feito nada assim, ainda mais poder escrever coisas que milhares de pessoas vão ler futuramente!”, conta Ernani. "Foi interessante também desenvolvermos o diálogo entre nós mesmos e com o pessoal que organizou o projeto", diz.

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Raimundo declara: "participar aflorou o que eu tenho, que é fazer poesia e desenho, trouxe isso de volta". Ambos concordam (e completam a fala um do outro): “perceber as pessoas gostando de algo que você fez é o mais importante”, e “não há o que pague isso”.

Karine Cândida atualmente cumpre pena no presídio feminino no Horto e conseguiu ser liberada por ordem judicial por seis horas para estar presente na abertura da exposição e participar da mesa redonda. Ela comenta que todos querem saber os porquês. “Por que você é tão bonita e tá presa?”, “Por que você que tem estudo tá presa?”, “por que você fala mais de uma língua e tá presa?”. Ela responde: “os porquês não têm justificativas, o que importa é o que eu sou agora, o que eu quero ser daqui pra frente.”

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Ela confessa que havia desistido de si mesma depois de três anos de privação de liberdade, mas encontrou na Revista A Estrela “uma injeção de ânimo. Nem sabia que eu sabia escrever tão bem". Karine, que interrompeu a faculdade de Direito, mudou o foco e afirma ter muito mais a ajudar na Assistência Social. E ainda promete continuar escrevendo e fotografando.

O Coral da APAC de São João del Rei completou o evento traduzindo brilhantemente a noção de dar voz às pessoas em situação temporária de privação de liberdade.

 

APAC

Associação de Proteção e Assistência ao Condenado, APAC, é uma entidade civil de direito privado, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, dedicada à recuperação e reintegração social dos condenados às penas privativas de liberdade. Ela figura como forma alternativa ao modelo prisional tradicional, promovendo a humanização da pena de prisão e a valorização do ser humano. Busca, também, em uma perspectiva mais ampla, a proteção da sociedade, a promoção da justiça e o socorro às vítimas.

Na APAC, diferentemente do sistema carcerário comum, os próprios presos são corresponsáveis pela sua recuperação, tendo assistência espiritual, social, médica, psicológica e jurídica prestada por voluntários da comunidade. Os presos têm acesso a cursos supletivos, profissionalizantes, técnicos e alguns casos de graduação, oficinas de arte, laborterapia e outras atividades que contribuem para a reinserção social.

(fonte: domTotal)

 

 

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