Palavra do Presidente

26/01/2017

Educação e violência

por Olavo Machado Junior

O Brasil vive hoje o drama do aumento da sua população carcerária. Os terríveis acontecimentos de janeiro em presídios do país jogam luz sobre um debate urgente para toda a sociedade: é preciso investir pesadamente em educação.

Diante das tragédias ocorridas nas cadeias, a presidente do STF e do CNJ, ministra Cármen Lúcia, relembrou Darcy Ribeiro – seu conterrâneo de Montes Claros e um dos mais importantes pensadores do Brasil. Em 1982, ele previu que, se os governantes não investissem na construção de escolas, em duas décadas faltaria dinheiro para construir presídios. Hoje, o orçamento necessário para suprir o déficit de 250 mil vagas no sistema carcerário nacional é de R$ 10 bilhões.

O compromisso com o investimento continuado em educação é uma das marcas mais relevantes do Sistema Indústria. Este foi o norte para a criação, em 1942, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e, quatro anos depois, do Serviço Social da Indústria (SESI). As duas entidades atuam, desde então, com sucesso crescente e reconhecido na formação de cidadãos e de profissionais para o mercado de trabalho no nosso país.

Em Minas Gerais, o Sistema FIEMG mostra os resultados dessa experiência. As 43 escolas do SESI MG receberam, nos últimos cinco anos, quase 80 mil matrículas, do ensino infantil ao médio. Somam-se a esse número os 32 mil alunos que cursaram a Educação de Jovens e Adultos (EJA). São estudantes que se formaram com qualidade de ensino. É animador podermos comemorar o que alcançaram no ENEM. Dentre as 277 escolas SESI de todo o Brasil, as 12 primeiras colocações, em 2015, são de Minas Gerais. Das 20 primeiras, 15 são mineiras.

No ensino profissionalizante, o SENAI MG tem competência comprovada pela indústria do Estado. São 87 escolas que, de 2011 para cá, formaram mais de 403 mil trabalhadores preparados para atuarem no mercado.

O desempenho deles em competições profissionais mostra a qualidade do ensino. Em 2014 e 2015, representando Minas Gerais e o Brasil, conquistaram, respectivamente, o 1º lugar na Olimpíada do Conhecimento e na WorldSkills, que é a maior competição mundial na área do ensino profissionalizante.

Em nosso Estado, para atender a cidades onde não existem unidades do SESI e do SENAI, o Sistema FIEMG criou o Escola Móvel. Desde 2011, esse programa contribuiu com mais de 300 municípios, formando quase 47 mil pessoas. A proposta é valorizar os ofícios e criar condições para que os cidadãos possam se qualificar e ter uma profissão, gerando dignidade e resgatando a autoestima. Para realizar os cursos, não é exigido, no momento da matrícula, nenhum conhecimento prévio do aluno. Hoje, mais de 79% dos participantes geram renda na própria cidade em que vivem, sem ser preciso migrar em busca de emprego. Isso faz com que se sintam valorizados no local onde moram e têm suas raízes.

Os trabalhos realizados nos três Institutos de Inovação e nos cinco de Tecnologia, ambos do Centro de Inovação e Tecnologia (CIT/FIEMG), em Belo Horizonte, além das ações desenvolvidas no âmbito do IEL, completam o ciclo educacional para a indústria desenvolvido pelo Sistema FIEMG. Incluem-se ainda os programas “Futuros Engenheiros” e “Engenheiro Empreendedor”, conduzidos juntamente com o SESI MG, o Sebrae Minas e diversas universidades mineiras. A proposta é oferecer aos graduandos em Engenharia conhecimentos teóricos aliados aos práticos, obtidos nas linhas de produção de nossas indústrias.

Foi também a união da indústria mineira, dentro do Conselho Estratégico da FIEMG, que permitiu criar o Minas Pela Paz em 2007. Dentre inúmeras ações, o instituto oferece apoio às APACs no Estado. Nelas (com a parceria do SENAI MG, do SESI MG e da Escola Móvel), centenas de condenados pela Justiça ganharam oportunidades de profissionalização.

Empenhar nesse esforço é o que o momento nos exige. Junto aos 138 sindicatos representativos dos diversos segmentos da indústria mineira, buscamos criar condições para romper a sinistra espiral da violência, em que educação ruim dialoga intensamente com aumento de criminalidade.

Hoje, o Brasil tem mais de 622 mil pessoas presas. Os gastos para mantê-las – em péssimas condições, registre-se – são absurdos. Um preso custa aos cofres públicos R$ 28,8 mil por ano, enquanto um aluno de Ensino Médio demanda R$ 2,2 mil no mesmo período. Está claro: aumentar a população carcerária não nos interessa!

Acabar com esse ciclo perverso é obrigação de nossos governantes, com o apoio de toda a sociedade. Não se pode mais admitir omissões e desculpas pela obrigação não cumprida. Andar no mesmo caminho proposto pela indústria brasileira, de valorização da educação, é urgente. Não podemos mais esperar.

 

“Acabar com esse ciclo perverso é obrigação de nossos governantes, com o apoio de toda a sociedade. Não se pode mais admitir omissões e desculpas (...)”

Palavra do Presidente

Olavo Machado Junior
Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – Sistema FIEMG

Publicado no jornal Estado de Minas do dia 26/01/2017

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