Palavra do Presidente

13/01/2017

Em 2018 tem eleição

por Olavo Machado Junior

Para não falar do básico – saúde, educação e segurança –, obras viárias estratégicas para a logística de transporte de Belo Horizonte e de Minas continuam engavetadas no Ministério dos Transportes, em Brasília, aguardando que sobre elas também se manifeste o Palácio do Planalto, que continua silencioso. Mesmo sendo prometidas à exaustão nos últimos anos dos governos dos presidentes Lula e Dilma Rousseff, dos quais o PMDB do presidente Michel Temer participou fortemente, não saíram do papel.

As obras do Anel Rodoviário e do metrô de Belo Horizonte, além da duplicação da BR-381, no trecho que vai da capital mineira até Governador Valadares, basicamente permanecem sendo só promessas. O Anel e a 381 são também conhecidos como "pistas da morte", em razão do grande número de acidentes que registram, provocando a morte de muitas pessoas.

E as perspectivas para 2017 são igualmente preocupantes. Notícias publicadas pelo Estado de Minas, em sua edição da última segunda-feira (9), informam que as obras de ampliação do metrô de Belo Horizonte estão totalmente fora dos planos do governo federal para este ano. Elas chegaram a ser incluídas, em 2010, no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), criado ainda no governo do presidente Lula, mas os poucos recursos liberados foram suficientes apenas para a sondagem do solo. Durante muito tempo, a população via tapumes isolando algumas áreas, com a informação de que ali se realizavam estudos dedicados ao trem urbano. Certo é que a cidade ganhou muitos buracos, e o metrô não andou nem um metro sequer.

Com as obras de revitalização do Anel Rodoviário, a mesma coisa. Muitas promessas, muitas visitas eleitoreiras, muita enrolação e nenhuma obra. O que se viu nos últimos anos foi uma infinidade de acidentes gravíssimos, com vultosas perdas materiais, vítimas com ferimentos e muitos mortos. Nenhum recurso, nenhuma obra. Nem sequer foi realizada a transferência dos moradores das margens do Anel – providência sem a qual não se pode revitalizar essa via, tampouco duplicá-la, onde for necessário. Em nenhum momento levou-se em conta a vida das pessoas que lá residem.

É importante lembrar da importância do Anel para a logística de transporte, que é fundamental para o próprio país: ele é um "anel aberto" e uma via natural de acesso a outros lugares: Rio de Janeiro (BR-040), portos capixabas (BR-262), São Paulo (BR-381 - Rodovia Fernão Dias) e Brasília (BR-040).

Estão previstos, no orçamento federal de 2017, R$ 334,9 milhões para as obras de duplicação da BR-381. Não é hora de abrirmos mão desses investimentos em infraestrutura. Minas Gerais e os mineiros não aceitam mais esse descaso e exigem respeito à sua história e à contribuição que oferecem ao Brasil.

Temos a segunda maior população do país – e também temos o segundo maior colégio eleitoral e a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados, com força suficiente para parar o Congresso Nacional, se for o caso.

Minas produz expressiva parcela das exportações brasileiras, o que gera divisas. Também têm origem no estado mineiro o café e minerais diversos, principalmente o minério de ferro – e isso não é de hoje, vem de muitos séculos. Nossos rios são fundamentais para gerar a energia que movimenta a economia e a indústria nacional. Ademais, cuidar da logística de transporte de Minas é contribuir com o país, pois Belo Horizonte é, certamente, o mais importante entroncamento logístico que une as diversas regiões brasileiras.

Em 2018, mais uma vez, teremos eleições nacionais. Vamos eleger os novos deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores e o presidente da República. O voto é a nossa arma mais poderosa, sendo o nosso partido Minas Gerais e, por consequência, o Brasil. No entanto, enquanto as eleições não chegam, Minas e os mineiros esperam que os seus representantes no Congresso Nacional se posicionem em defesa dos interesses do estado e trabalhem com energia, soberania e união em questões relevantes e estratégicas, como as eleições para a presidência e demais cargos das mesas diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado.

Não podemos admitir um governo em que não exista a participação de mineiros no primeiro escalão! Onde estão os representantes do nosso estado no ministério e nos demais cargos de relevância governamental? Se a estratégia é impedir a participação de Minas no governo central, é razoável concluir que este talvez seja um governo não plenamente confiável – e aí o problema fica muito maior, tanto no âmbito estadual quanto nacional.

Minas Gerais jamais admitiu andar a reboque de interesses que não sejam os do estado. E não será agora que irá admitir. Estamos atentos ao que acontece no plenário da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e também nos gabinetes da Esplanada dos Ministérios. É preciso identificar quem está com Minas, quem está contra Minas e até quem está em cima do muro. A palavra está com os nossos políticos. A partir do comportamento deles é que decidiremos corretamente o nosso voto em outubro de 2018.

 

 

“É preciso identificar quem está com Minas, quem está contra Minas e

até quem está em cima do muro.”

Palavra do Presidente

Olavo Machado Junior
Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – Sistema FIEMG

Publicado no jornal Estado de Minas do dia 12/01/2017

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