Palavra do Presidente

22/03/2018

Prioridade à água

por Olavo Machado Junior

Cuidar das águas é prioridade pra a indústria e o objetivo final deste compromisso é a preservação dos recursos hídricos cada vez mais escassos. Este posicionamento e as iniciativas que o embasam são o foco do Sistema FIEMG e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) no 8º Fórum Mundial da Água, evento global que reúne as maiores autoridades do planeta no assunto e que vai até o próximo dia 23, em Brasília, no Estádio Mané Garrincha.

A sustentabilidade, de fato, é parte fundamental do cotidiano da indústria mineira e brasileira. Entendida em suas três dimensões – econômica, social e ambiental – a sustentabilidade abrange ações que vão da redução do consumo – por meio da reutilização, recirculação e reciclagem de água –, até a preservação de nascentes e de matas ciliares. A isto, somam-se investimentos em inovação e tecnologia. Boas ideias, transformadas em produtos e soluções, colocam à disposição das próprias empresas e dos cidadãos práticas que demandam menores quantidades de água.

Em realidade, a grave crise hídrica vivida por Minas Gerais em 2015 despertou a nossa atenção para a necessidade de intensificarmos ações visando a preservação dos recursos hídricos do estado. Além de investir em tecnologias que permitam às empresas atuar com a menor interferência possível nos corpos d’água, a indústria mineira intensificou seus cuidados para recompor a vegetação de áreas de recargas hídricas e proteger nascentes. Essas são duas das principais ações com as quais nos comprometemos quando lançamos o Pacto de Minas pelas Águas.

Felizmente, os bons exemplos se espalham pelo estado. Em alguns setores, o percentual de recirculação de água nos processos produtivos se aproxima de 100%. Na mineração, chegam a 85%, havendo, inclusive, evoluções para a adoção de processos de extração a seco. No segmento do aço, os esforços para a redução do volume hídrico gasto por unidade de produção são significativos. Em 2014, eram necessários 3,43 m3 de água por tonelada produzida. Em 2017, o número caiu para 2,27m3.

No Sistema FIEMG, a questão hídrica é compromisso assumido com a indústria e com a sociedade. O Programa Minas Sustentável, criado em 2011, apoia, incentiva e orienta empresários mineiros a adotarem processos produtivos mais sustentáveis e eficientes. Os resultados são robustos. De lá para cá, 9.224 empresas foram assessoradas e 1.957 orientadas para a ecoeficiência, em 402 municípios diferentes. Por meio desse trabalho, 456 licenças ambientais foram concedidas a indústrias que passaram a atuar de forma limpa e sustentável. Ao todo, 3.371 trabalhadores e empresários foram capacitados.

O Sistema FIEMG desenvolve ainda uma série de ações voltadas para a sustentabilidade por meio de um conjunto de programas: Simbiose Industrial, no qual as sobras ou resíduos de uma empresa se transformam em matéria-prima ou insumo para outra; o Economia Circular em Distritos Industriais, que incentiva a redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia; e o Minas Clima, que apoia Minas Gerais na construção de uma economia de baixo carbono.

Com este tipo de atitude, contribuímos com a espetacular capacidade de nosso estado de produzir água e de manter os fluxos contínuos dos rios ao longo das estações. Por essa característica, Minas Gerais compartilha recursos hídricos de modo significativo com os estados vizinhos, sendo responsável, por exemplo, por 75% da vazão do São Francisco – conhecido como o “rio da integração nacional”.

Em Minas, situam-se também alguns dos mais importantes reservatórios do sistema interligado brasileiro de geração e transmissão de energia elétrica. O estado é responsável por nada menos do que 46% da capacidade de armazenamento do Subsistema Sudeste e por 31% do Subsistema Nordeste.

São dados que alertam para a flagrante necessidade de estabelecermos uma gestão estratégica para esse recurso natural – seja para garantir o desenvolvimento socioeconômico dos mineiros, seja pela responsabilidade de propiciar uma vazão de entrega em quantidade e qualidade para outros estados do Brasil.

Neste contexto, é preciso urgentemente fortalecer o órgão gestor de recursos hídricos de nosso estado – o IGAM. Somente com estrutura adequada e com profissionais bem remunerados e amparados pelos diferentes poderes ele poderá atuar, de fato, para aperfeiçoar mecanismos de governança hídrica.

Do mesmo modo, é preciso acelerar a implantação de infraestrutura de saneamento, especialmente a coleta e o tratamento do esgoto doméstico. Hoje, onze anos após a entrada em vigor da Lei do Saneamento Básico, metade dos brasileiros não tem acesso a esgoto e 17% ainda não contam com água tratada. É necessário também investir na capacidade de armazenamento de água inovadora – as chamadas infraestruturas verdes, traduzidas na recuperação e proteção de nossas nascentes e áreas de recarga hídrica.

O momento é oportuno para que possamos debater a qualidade e a disponibilidade hídrica brasileira. Mais de 25 mil pessoas circularão pelo Fórum Mundial da Água, evento inédito em nosso país. Políticos, profissionais e especialistas de todos os continentes estão presentes e se capacitarão para colaborar em um debate franco e aberto. No Espaço da Indústria, FIEMG e CNI marcam a posição do setor, compartilhando experiências, ideias, produtos, conhecimento e novas tecnologias para que possamos atuar de maneira ainda mais eficiente para a sustentabilidade hídrica.

“O Programa Minas Sustentável, criado em 2011, apoia, incentiva e orienta empresários mineiros a adotarem processos produtivos mais sustentáveis e eficientes.”

Palavra do Presidente

Olavo Machado Junior
Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – Sistema FIEMG

Publicado no Jornal Estado de Minas do dia 22/3/2018

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