Palavra do Presidente

25/05/2017

Somos um país honesto!

por Olavo Machado Junior

Com orgulho e confiança no futuro, comemoramos hoje o Dia da Indústria, em um cenário que não é exatamente o que gostaríamos de ter. A crise permanece grave e os acontecimentos dos últimos dias indicam que pode piorar diante dos escândalos que continuam chegando ao Palácio do Planalto – ou do Jaburu. Felizmente, o industrial é um idealista obstinado, que não desanima nunca, que não esmorece jamais. E que segue adiante, com esperança e fé de que, em breve, com a sociedade unida e consciente, tudo vai mudar para melhor.

A indústria mineira é um exemplo e, por isso, aproveitamos a data para homenagear aqueles que a constroem. E, sou testemunha, todos empresários se esmeram na realização de um trabalho gerador de riquezas e oportunidades para a sociedade. São milhares de empresas de todos os portes, instaladas nos quatro cantos do estado e responsáveis pela geração de milhares de empregos. A FIEMG e seus 138 sindicatos filiados cumprem a missão da representá-las e defender os seus interesses mais legítimos.

Em Minas, no total, somos mais de 500 mil empresas de todos os setores da economia gerando mais de 4 milhões de empregos. Destas, mais de 64 mil são indústrias que empregam mais de 1,1 milhão de trabalhadores. No Brasil, são quase 4 milhões de empresas – 3.971.108 –, todas responsáveis pela oferta de quase 50 milhões de empregos – 48.060.807. No setor industrial, somos, em todo o país, mais de 500 mil companhias geradoras de quase 10,5 milhões de empregos.

São estas empresas e seus empreendedores, incluindo os industriais, que fazem a economia rodar, que pagam os impostos que financiam todos os programas sociais dos quais os governos se apropriam. Sem elas, não haveria Bolsa-Família, não haveria o SUS, não haveria escolas e hospitais públicos, nem estradas, nem segurança pública.

Pois bem, neste momento, de forma generalizada e absolutamente injusta, estes milhares de empresas e de empreendedores são expostos à execração pública e lançados na vala comum aberta pela Operação Lava-Jato, que, em boa hora, nasceu para investigar a corrupção e punir corruptos, nos setores público e privado. Vida longa e profícua é o que desejamos à Lava-Jato, mas que seus efeitos se limitem a punir aqueles que efetivamente tenham contas a acertar com a Justiça.

Não é justo, nem é correto, “carimbar” milhares de empresas e empresários pelos erros e crimes cometidos por um grupo reduzido de pessoas e organizações que se locupletaram com o assalto cometido contra o erário público. Na verdade, empresas e empresários que trabalham corretamente, com honestidade, também são vítimas da corrupção e dos corruptos, sejam eles empresários ou políticos.

A corrupção e o uso indevido do dinheiro público – sabemos – atuam diretamente contra o bom ambiente de negócios. Servem, ao contrário, para criar concorrência desleal e falsas ilhas de desenvolvimento para os que dessas ações se beneficiam, em meio à recessão e ao desemprego que emperram o país e vitimam milhões de trabalhadores.

Quantas empresas quebraram em razão direta da corrupção que quase destruiu a Petrobras? Dezenas, centenas, milhares, podem ter certeza.  Dos 14 milhões de trabalhadores que estão hoje condenados ao desemprego, também podemos ter certeza, grande parte é vítima dessa corrupção desenfreada. As micro e pequenas indústrias instaladas nas regiões mais remotas do país, assim como as mais sofisticadas fábricas localizadas nos centros mais desenvolvidos, também são vítimas da crise ética que asfixia o Brasil e agrava a crise econômica.

O setor industrial brasileiro rejeita e repudia essa generalização odiosa e injusta. Hoje, no Dia da Indústria, devemos bater no peito, na altura do coração, e dizer, em alto e bom som, com orgulho, que o Brasil é um país honesto, que os brasileiros são um povo honesto, que os empresários brasileiros são corretos e têm firme compromisso com o país.

Devemos dizer, todos, que esperamos celeridade do Judiciário, desde a primeira instância até a Suprema Corte – é inexplicável que processos tramitem por 10, 20, 30 anos e acabem por prescrever, como estamos cansados de ver acontecer. Devemos dizer que repelimos falsos líderes políticos que transformam nosso Parlamento em balcões de negócios, em verdadeiras feiras livres onde princípios e valores éticos são sempre oferecidos como pechinchas. Devemos dizer, mais uma vez, “basta” e “chega” a autoridades do Executivo que transformam em prioridade absoluta os seus mais subalternos interesses pessoais.

No Dia da Indústria, vamos dizer a todos aqueles que conspiram contra o país que nossa luta será para removê-los da vida pública, utilizando-nos da força da democracia, da nossa voz e do nosso voto.

Com todos os problemas que a nação enfrenta, temos, sim, muito orgulho e motivos para comemorarmos esta data. Temos motivos para homenagear empresários – de todos os portes – pela garra e pela capacidade de realização que os tornam exemplo e referência para todos os industriais mineiros. Orgulhemo-nos, todos, de sermos industriais em Minas Gerais e no Brasil.

 

“No Dia da Indústria, vamos dizer a todos aqueles que conspiram contra o país que nossa luta será para removê-los da vida pública, utilizando-nos da força da democracia (...)”

Palavra do Presidente

Olavo Machado Junior
Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – Sistema FIEMG

Publicado no jornal Estado de Minas do dia 25/05/2017

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