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Ásia-Pacífico na mira dos empresários mineiros

Tema foi apresentado por Cecília Kiku Ishitani, diretora do Departamento de Japão, Península Coreana e Pacífico do Itamaraty

“O Japão e a Coreia do Sul são dois países que o Brasil mantêm intensas relações comerciais e cultura. O Japão é um dos maiores importadores e exportadores de bens e serviços para o Brasil e, além disso, os japoneses e seus descendentes somam mais de 2 milhões de pessoas em território brasileiro que, ao longo da história, desempenharam um papel importante no desenvolvimento econômico do Brasil. Já a Austrália e a Nova Zelândia, apresentam muita potencialidade de negócios”, afirmou Fabiano Nogueira, diretor Consultivo da FIEMG e presidente do Conselho de Política e Mercados Internacionais da Federação, na abertura da 17º palestra do Ciclo de Conferências - A Nova Política Externa Brasileira. Realizada no dia 03/03, a palestra teve como convidada Cecília Kiku Ishitani, diretora do Departamento de Japão, Península Coreana e Pacífico, do Itamaraty. 

A ministra Cecília Kiku Ishitani, apresentou a palestra “Japão, Coreia do Sul e Austrália: Parceiros do Brasil na Ásia-Pacífico”, e começou contextualizando a região em que estão inseridos os três países. Segundo a ministra, a Ásia-Pacífico é a região de maior dinamismo econômico-comercial do mundo, retendo 58% da população e 37% do PIB global. “Em 2030, responderá por 60% do crescimento mundial e 90% dos novos consumidores de classe média, no mundo”, explicou.  

Em 2018 foi firmado o Comprehensive and Progressive Agreement for Trans-Pacific Parthership (CPTPP), que é considerada a 4ª maior área de livre comércio mundial. Já em 2020 foi concluído o Regional Comprehensive Economic Parthership (RCEP), que será a maior área de livre comércio, correspondendo a quase 1/3 de todo o comércio mundial. 

“O Japão, a Coreia do Sul e Austrália são importantes parceiros comerciais do Brasil, sendo que os três países estão entre as 15 maiores economias mundiais. Além disso, existem outras afinidades, como o fato de serem grandes democracias e partilharem de valores essenciais, como liberdade, economia de mercado, solução pacífica de Controvérsias e a observância do direito internacional”, pondera Ishitani. 

Japão – Com uma população de 125 milhões de habitantes e com alto poder aquisitivo, o Japão é considerado a 2ª maior economia da Ásia e a 3ª mundial. As relações diplomáticas Brasil/Japão acontecem há 125 anos e começou com a migração japonesa, em 1908. O país asiático é um importante parceiro comercial desde a década de 1950, principalmente nos setores mineração, siderurgia e automobilístico.  Além disso, pode-se exemplificar também a parceria no setor agrícola, com o Programa de Cooperação Nipo-Brasileiro para o Desenvolvimento Agrícola dos Cerrados (PROCEDER), que tornou produtivo, o cerrado brasileiro.

Atualmente o Japão é o 6º parceiro comercial do Brasil, o 2º na Ásia, 
sendo 5,2% a participação brasileira no mercado agrícola japonês. No quesito diálogos econômicos, a ministra destacou o CNI-KEIDANREN, Grupo de Notáveis, MEcon-METI, Diálogo sobre Agricultura e Alimentos, GT para promoção de investimentos e Cooperação Econômica em Infraestrutura.   

Coréia do Sul – É a 12º economia do mundo, com investimentos maciços em P&D – cerca de 4,5% de seu PIB, sendo um dos países com maior ativo no setor de política comercial, são 17 acordos de livre comércio concluídos, com 57 países, o que cobre cerca de 70% do comércio exterior no mundo. O Brasil foi o primeiro país latino-americano a estabelecer relações comerciais com a Coreia do Sul, há 62 anos.  

A Coréia do Sul é o 3º maior parceiro comercial do Brasil, na Ásia, alternando de posição com o Japão, e o 6º país de origem de importações brasileiras e 11ª destino de nossas exportações. Em 2020, o comércio bilateral foi de US$ 7,8 bilhões, e em 2019 foram US$ 8,1 bilhões. As exportações brasileiras se concentram em produtos primários. “A Coreia é um grande importador de alimento, mas o Brasil é o 6º fornecedor, pois as commodities enfrentam barreiras tarifárias e sanitárias”, explicou Ishitani, pontuando que está em curso negociações acordos comerciais MERCOSUL/Coreia do Sul. 

Austrália – Segundo Ishitani, Brasil e Austrália compartilham diversas afinidades, são países continentais, multiétnicos e grandes produtores  agropecuários e minerais. O comércio bilateral entre as duas nações foi de US$ 1 bilhão em 2020 e US$ 1,2 bilhão em 2019, sendo que a pauta exportadora é composta de 77% de produtos manufaturados. Os principais produtos são máquinas de terraplanagem e perfuração, café em grãos, veículos, máquinas agrícolas e laranja. “Além disso, temos um elo forte de intercâmbio humano, por meio de estudantes na Austrália, são mais de 20 mil”, afirmou.

Flávio Roscoe, presidente da FIEMG, participou do evento e destacou a relevância do Ciclo de Palestras como um mecanismo de apresentar para o empresariado novas possibilidades de mercados poucos explorados pelo Brasil. “O mercado Ásia-Pacifico apresenta uma grande potencialidade. Acredito que a economia japonesa tenha muita complementariedade com a brasileira. Já a australiana é muito parecida com a nossa, baseada em commodities, entretanto, apresenta grandes oportunidades. Estamos acostumados com os mercados que estão próximos a nós e contamos com o Itamaraty para alcançarmos os demais”, afirmou o líder empresarial.  
 

O Ciclo de Conferências - A Nova Política Externa Brasileira é uma realização do Ministério das Relações Exteriores e da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), em parceria com a Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG). O Ciclo tem o objetivo de promover para os empresários mineiros a posição do Brasil perante a conjuntura externa e o acesso a informações relativas ao comércio e as relações internacionais. As palestras são mediadas pelo diplomata Roberto Goidanich, presidente da FUNAG, e a transmissão é feita pela WEBTV FIEMG.  

 Agenda – A próxima conferência será realizada no dia 09/03, às 18h, com o embaixador Alex Giacomelli, diretor do Departamento de Promoção de Energia, Recursos Minerais e Infraestrutura do Itamaraty. A palestra terá como tema A promoção da energia e da mineração.   

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