Notícia

Descarbonização da indústria da mineração é tema de encontro com britânicos na FIEMG

Reunião apresentou soluções de empresas das duas localidades para o desafio do 'crescimento limpo'

Sebastião Jacinto Júnior/ FIEMG

A descarbonização da indústria de mineração (ou seja, a redução ou a compensação da emissão de gases do efeito estufa) está "na pauta do dia". Por isso, a Federação recebeu, nesta terça-feira (07/12), o primeiro evento "Diálogos Minas-Reino Unido: tecnologias-verdes para a cadeia minero-siderúrgica", promovido pelo Department for International Trade Mining do Reino Unido (Departamento de Comércio Exterior para a Mineração), em parceria com a entidade.

Os participantes discutiram a colaboração entre Minas e o Reino Unido no desenvolvimento de ideias para a descarbonização da indústria de mineração, dando visibilidade às propostas de ambas as localidades na implantação do chamado 'crescimento limpo'. O encontro contou com palestras presenciais e virtuais de empresas britânicas e de dois projetos brasileiros apoiados pela FIEMG.

O evento foi aberto pela chefe da Assessoria Estratégica e Internacional da FIEMG, Martha Lassance. Ela lembrou a relevância do tema, sobretudo para Minas e a FIEMG. "Queremos impulsionar toda a sociedade e focar em questões-chave para guiar a ambição e a ação sobre as mudanças climáticas. Minas participou da COP-26 como resultado do comprometimento do estado na adesão à campanha global 'Race to Zero', a qual teve apoio da FIEMG como representante da indústria e principal interessada no desenvolvimento sustentável das empresas", declarou.

Minas foi o primeiro estado da América Latina e do Caribe a aderir às metas da campanha, que reúne lideranças globais com objetivo de zerar emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050. A adesão foi oficializada no mês passado, durante visita do governador de Minas, Romeu Zema, na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021 (COP-26), em Glasgow, na Escócia.

Em seguida, o Trade Envoy (Enviado de Comércio) do Primeiro-Ministro do Reino Unido, Boris Johnson, ao Brasil, Marco Longhi, enfatizou a importância da discussão das questões climáticas, relembrando que o Reino Unido assumiu, no mês passado, a presidência da COP-26 em um "momento-chave". Segundo ele, é urgente a ação para o combate ao aquecimento global e é uma responsabilidade liderar "a partir do exemplo". Longhi afirmou que a descarbonização da indústria representará "a maior oportunidade de crescimento econômico deste século".

"O Reino Unido tem o plano mais ambicioso do G20 para a descarbonização da sua economia. Acreditamos que esse plano vai atrair investimentos, gerar centenas de milhares de empregos novos, e gerar riquezas para a nossa economia. Com essa oportunidade, quem se mover primeiro tem mais a ganhar. Por isso fico feliz em estar no estado de Minas Gerais, o primeiro na América Latina a comprometer-se a zerar as emissões até 2050", afirmou. Segundo ele, o Brasil é um parceiro estratégico para o Reino Unido, motivo pelo qual o primeiro-ministro, Boris Johnson, o nomeou ao cargo para que conduzisse o fortalecimento da parceria entre os dois países.

"Está claro para mim que Minas é um estado prioritário nessa missão. Queremos ser parceiros de Minas nessa corrida por meio de parcerias estratégicas e compartilhamento de soluções para promover comércio, e investimento em energias renováveis e em tecnologias de baixo-carbono. É uma parceria mão-dupla. Eu sei que temos muito a aprender com vocês, também", completou.

Por fim, Marco Longhi declarou que a mineração, a siderurgia e a metalurgia são imperativos para a transição para uma Economia Verde. Por isso, os desafios que esses setores enfrentam para a descarbonização própria deveriam ser enxergados como oportunidade. "Tecnologias limpas podem diminuir os custos de operação e melhorar a produtividade", disse.

Soluções em andamento

Com o objetivo de dar visibilidade às soluções britânicas e mineiras, os organizadores do "Diálogos Minas-Reino Unido" convidaram três empresas do Reino Unido e dois projetos brasileiros apoiados pela FIEMG para apresentação de soluções de energia e descarbonização para a indústria.

Por ordem de apresentação, o Gerente de Desenvolvimento de Negócios Internacionais da Energy Systems Catapult (ESC), Felipe Cruz, contextualizou o trabalho da empresa, que foi criada para acelerar a transformação do sistema de energia do Reino Unido. A ESC trabalha com a integração de elementos de energia (incluindo energia, coleta, calor e transporte) para desenvolver caminhos eficazes para a descarbonização com base nas características e necessidades de uma área local.

"Como uma organização sem fins lucrativos, a ESC está em uma posição única para apoiar a adoção de uma visão independente, totalmente agnóstica e de todos os sistemas de energia, para identificar prioridades de inovação, lacunas no mercado e superar barreiras para acelerar a descarbonização do sistema de energia. Assim, seus benefícios contemplam o estabelecimento de rotas para ter um ecossistema de inovação em funcionamento, apoiando o papel do governo como facilitador", explicou Cruz.

Em seguida, a Chefe de Envolvimento do Cliente da Rolls Royce, Sophie Macfarlane-Smith, explicou como funciona o Small Modular Reactors (Pequenos Reatores Modulares), uma solução desenvolvida pela empresa para atender às demandas britânicas de energia de baixo carbono, frente às mudanças climáticas. Segundo ela, é um sistema de fornecimento de energia limpa, por meio de tecnologia nuclear comprovada, para várias aplicações.

"Uma única estação de energia SMR Rolls-Royce pode ocupar o equivalente a dois campos de futebol, e abastecer aproximadamente um milhão de residências, permitindo a descarbonização de processos industriais e a produção de combustíveis limpos, apoiando a transição energética de amplos setores", afirmou.

O diretor comercial da Hytron, Daniel Lopes, trouxe informações sobre a atuação da empresa, que é pioneira no fornecimento de soluções para a produção de hidrogênio a partir das fontes solares, eólicas e de biocombustíveis. A Hytron é brasileira e de propriedade da alemã Neuman & Esser. Ela faz a geração, purificação, compressão, armazenamento e distribuição de hidrogênio para mobilidade, e fica em Belo Horizonte.

A gerente de Desenvolvimento de Negócios da Aggreko, Elizângela Santana, falou sobre o comprometimento da empresa na busca por gerações híbridas e pelo desenvolvimento de sistemas de armazenamento de energia. "As soluções da Aggreko envolvem o desenvolvimento de baterias para armazenamento de energia, através de baterias de íons de lítios que integram a outras fontes de geração, como fotovoltaica, biocombustível e eólica, suportando o despacho de fontes intermitentes. As soluções híbridas permitem a eficiência da combinação da energia renovável com a geração de energia térmica e o armazenamento de energia em baterias", informou.

Líder mundial em design, fabricação e fornecimento de soluções de processamento de minerais e maquinários associados, a Mining Machinery Developments (MMD), foi outra indústria a se apresentar no evento realizado pelo Department for International Trade Mining do Reino Unido. O vice-presidente da empresa, Richard Booth, falou sobre uma solução de alimentação móvel, que supera o problema dos carregamentos intermitentes, normalmente visto em operações de caminhões e escavadeiras.

"Admitindo cargas diretas de escavadeiras, de processos de crivagem ou de equipamentos de dimensionamento móvel, o Fully Mobile Surge Loader (FMSL) armazena material e fornece fluxo regulado para frota de caminhões, aumentando a utilização de caminhões e escavadeiras e fornecendo a melhoria da capacidade do sistema de até 25%", apontou Booth.

Houve, ainda, apresentação do sócio-fundador da Clamper, Ailton Ricardoni. Ele trouxe a experiência com a RenewCo - Produtos Químicos Renováveis, integradora agroindustrial que atua em cadeias altamente integradas de produção distribuída. O projeto piloto funciona em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, em plataforma de biorefino para produção de diesel verde, hidrogênio, bioquerosene e renováveis.

Segundo ele, os principais processos são: vertente biomassa (plantio de Macaúba para recuperação ambiental com sequestro de carbono e insumos sustentáveis); vertente tecnologia (integração de processos para produção de hidrogênio a partir de gás de síntese da biomassa e resíduos orgânicos, hidrocarbonetos sintéticos, e produtos renováveis para oleoquimica); e vertente resíduos (integração de processos de Economia Circular para conversão do lodo de esgotamento, fração orgânica do lixo urbano, casca de eucalipto, resíduos agrícolas da Macaúba em energia e produtos de alto valor agregado).

Relações comerciais entre Minas e Reino Unido

As importações do Reino Unido representam 3,4% das importações mundiais em 2020, com um montante importado de US$ 634,2 bilhões, situando o país na 5º posição no ranking dos principais importadores do mundo. Nas exportações, o Reino Unido ocupa a 12º posição dentre os principais exportadores do mundo, representando 2,2% das exportações mundiais, com um montante exportado em 2020 de US$395,7 bilhões.

Os principais produtos importados pelo Reino Unido a nível mundial em 2020, foram: Ouro (US$88,3 bilhões); Automóveis (US$34,7 bilhões); Conjunto de telefone (US$19,1 bilhões); Máquina automáticas para processamento de dados (US$16,2 bilhões); Óleos de petróleo (US$15,6 bilhões). Já os principais produtos exportados foram: automóveis (US$26,6 bilhões); Ouro (21,5 bilhões), Turbojatos, turbo propulsores (US$20,1 bilhões); e Medicamentos (US$18,4 bilhões).

Na pauta de exportações de Minas Gerais para o Reino Unido, no ano de 2020, os produtos de maior destaque foram: Ouro (US$ 517,5 milhões); Café (US$ 77 milhões); Minérios de ferro e seus concentrados (US$ 72,3 milhões); Hidrogênio (US$ 50,8 milhões); e Ardósia (US$ 18,2 milhões).

Já na pauta importadora mineira do Reino Unido, no último ano, os principais produtos importados foram: Preparações alimentícias (US$ 12,6 milhões); Compostos heterocíclicos, exclusivamente de hetero-átomo (s) de azoto - nitrogénio (US$ 10,3 milhões); Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas às máquinas e aparelhos (US$ 9,6 milhões); Instrumentos, aparelhos e máquinas de medida ou controlo (US$ 4,5 milhões); e Instrumentos e aparelhos para análises físicas ou químicas (US$ 2,9 milhões).

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