Notícia

Água como fator de desenvolvimento social

Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos debate papel dos setores público e privado e de toda a sociedade na preservação e no acesso à água

Dados levantados pelo Banco Mundial e pela Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que, até 2030, o planeta enfrentará um déficit de 56% em recursos hídricos, se não cuidarmos deles adequadamente. Hoje, mais de 2 bilhões de pessoas ao redor do mundo já vivem em bacias hidrográficas com algum nível de estresse hídrico. Para 2050, a expectativa é de que esse número avance para 5 bilhões de pessoas. A preocupação com esta realidade levou à realização do painel “Água como fator de desenvolvimento social”, no XXIV Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, nesta quarta-feira (24/11). 

Promovido pela Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRHidro), com correalização da FIEMG e do Governo de Minas, o evento ouviu a gerente da plataforma Ação pela Água, do Pacto Global da ONU, Maitê Padovani; e a supervisora de Responsabilidade Social da Copasa, Luciana Campos, com mediação da consultora em Gestão Ambiental e Recursos Hídricos Patrícia Boson. 

“Todos os dias, aqui no Brasil, jogamos 7 mil piscinas olímpicas de esgoto em nossos cursos d’água. Jogamos propositalmente, sem culpa, sem manchetes nos jornais, com a cumplicidade de todos”, lamentou Boson ao abrir as discussões, emendando que, passados 25 anos da Lei da Água, ainda temos tão graves problemas de gestão desse recurso que, mesmo em regiões úmidas como a Sudeste, continuamos enfrentando risco de escassez e ameaça de conflito hídrico. O cenário continua catastrófico”. 

Setor privado 

Mobilizada no intuito de mudar essa realidade, disse Maitê Padovani, a Ação pela Água tem investido em um chamamento ao setor privado para que, além novas funções que desenvolve para movimentar a economia, assuma suas responsabilidades sociais e ambientais. “O setor empresarial tem um papel fundamental de ser um aliado e ajudar a mudar esse cenário. A água está na base de todo processo produtivo, está na vida”, ponderou.  

Acerca da realidade brasileira, Padovani ressaltou que, “mesmo a gente tendo 12% da água doce disponível no mundo - o país tem uma capacidade enorme de gerar água potável -, ainda enfrenta desafios de décadas atrás. Passam de 35 milhões as pessoas sem acesso a água potável de qualidade. E de 100 milhões as que não dispõem de saneamento adequado. E isso faz com que a gente esteja jogando esgoto de forma inadequada no ambiente. Se não tratamos, esse descarte prejudica a qualidade das águas subterrâneas e, em consequência, da água potável”, refletiu ela. 

A supervisora de Responsabilidade Social da Copasa, Luciana Campos, apontou que a empresa é parceira da plataforma Ação pela Água nessas ações que buscam ampliar o acesso aos recursos hídricos e ao saneamento básico. “A Copasa entende a função da água no centro da dignidade humana, nosso propósito é cuidar da água e gerar valor para as pessoas”, mencionou. 

Segundo Campos, a Copasa é a quinta maior utility do mundo, com bilhão de metros cúbicos distribuído de água e 314 milhões de metros cúbicos de esgoto tratado, atendendo a 11 milhões de pessoas. “Buscamos a universalização dos serviços de água e esgoto com qualidade e de forma sustentável”, apontou. 

Trabalhar para alcançar os ODS 6 – objetivos de desenvolvimento sustentável propostos pela ONU -, que dizem respeito a água potável e saneamento, é portanto, na visão de Maitê Padovani, um desafio gigantesco para as empresas. “Há muitas empresas que já atuam de forma individual nesse sentido e algumas agem coletivamente. A gente precisa compartilhar o que tem sendo desenvolvido individualmente ou coletivamente. A principal linha de ação é compartilhar o que já existe de tecnologia”, defendeu. 

Outra questão, levantada ao final do evento por Patrícia Boson, é como levar água de qualidade para a população menos favorecida. A sugestão de Maitê Padovani passa por políticas de governança que consigam pensar o acesso da população, a esse bem-estar, como um todo. A olharem as pessoas pela pluralidade do que deve ser a vivência humana, não pensar nas pessoas apenas como consumidores. 

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