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As relações Brasil-Chile em pauta

Ciclo de Conferências: A Nova Política Externa Brasileira recebeu o embaixador do Brasil no Chile, Paulo Roberto Soares Pacheco

O embaixador do Brasil no Chile, Paulo Roberto Soares Pacheco, foi o convidado da palestra do mês do II Ciclo de Conferências sobre a Política Externa Brasileira. O evento on-line, realizado no dia 18/11 e transmitido via WEBTV FIEMG, teve como tema as relações entre os dois países sul-americanos.

O encontro foi aberto por Fabiano Nogueira, diretor consultivo da FIEMG e presidente do Conselho de Política e Mercados Internacionais da instituição, que destacou a longa história entre Brasil e Chile nos temas de comércio, cooperação e desenvolvimento conjunto. Segundo Nogueira, o país é o segundo maior parceiro do Brasil na América do Sul e o quinto maior comprador de produtos brasileiros até o mês de outubro deste ano. “Em razão da tradição da mineração, tanto no Chile como em Minas, as relações comerciais se expandiram muito nos últimos anos. Somos um importante fornecedor de alimentos, veículos, aço, máquinas e equipamentos para mineração. Nossas indústrias estão constantemente buscando posicionamento no mercado chileno, inclusive prospectando clientes nas feiras e eventos do setor mineral”, pontua.

O embaixador do Brasil no Chile iniciou a palestra ressaltando o bom histórico de colaboração entre o estado brasileiro e o país, sendo um dos motivos a vocação dos dois para a mineração. “Essa é uma área natural para que as empresas mineiras procurem oportunidades de negócios no Chile”, pontua.

Relação bilateral e dimensão política estratégica  

Neste ano, em 2021, são celebrados 185 anos de estabelecimento de relações diplomáticas entre o Brasil e o Chile. “Nestes quase dois séculos, a relação bilateral é frequentemente definida como uma amizade sem limites”, diz o embaixador do Brasil no Chile. Segundo Pacheco, apesar dos países não compartilharem fronteiras físicas, a relação bilateral é marcada pela cordialidade e respeito mútuo, elevado o nível de diálogo. O embaixador afirma que os dois países trabalham juntos para dar um sentido concreto à altura da relevância estratégica que o Brasil e o Chile têm um para com o outro. Pacheco ressalta as parcerias e trocas de experiências nas áreas de segurança e defesa; desenvolvimento sustentável; bem como na defesa da democracia e do livre mercado. 

Destacou que o Presidente Bolsonaro escolheu  o Chile como  primeira visita internacional, o trabalho conjunto na dimensão estratégica, incluindo consultas políticas e militares, bem como os resultados na área de defesa cibernética e ciberespaço. Lembrou a importância da cooperação logística chilena no Programa Antártico Brasileiro – PROANTAR, bem como na reconstrução desta base. Ainda em defesa enfatizou a participação do Brasil nas feiras chilenas e na compra de blindados.

Há convergência de interesses entre Brasil e Chile em diversos temas importantes como desenvolvimento sustentável, valores democráticos, Aliança do Pacífico e também no apoio do Chile à entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE. Para além destes, o incentivo ao turismo entre os dois países, as conexões com o norte chileno, na área de mineração, bem como possibilidades na área do hidrogênio verde e o projeto conjunto, de 15 mil quilômetros de cabo de fibra ótica ligando os Continentes.

O Corredor bi oceânico constitui um projeto emblemático pois deverá reduzir o custo dos fretes para a Ásia e o tempo de transporte em aproximadamente 2 semanas, otimizando a integração de cadeias produtivas locais. 

Comércio e investimentos bilaterais  

O embaixador deu um panorama da economia chilena, que é marcada pela facilidade de fazer negócios, no que se reflete nos indicadores internacionais e pela estabilidade econômica. “O Chile é o país latino americano mais bem posicionado no ranking do Banco Mundial, ocupando a 54ª posição, além de ocupar o 1° lugar regional no Índice de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial”, pontua.

Em relação à abertura comercial, o Chile mantém tratados de livre comércio com 65 parceiros e as exportações chilenas correspondem a cerca de 30% do PIB local. A tarifa geral aplicada pelo Chile nas importações é de 6%, mas devido aos acordos comerciais, chega em torno de apenas 1%. Os principais parceiros comerciais do país têm acesso a todos os setores da economia, tratando-se de um mercado com muita concorrência em seus de produtos importados. De acordo com Pacheco, o Brasil conta com um acesso privilegiado ao mercado chileno, em virtude do acordo de complementação econômica entre o Mercosul e o Chile.

A corrente de comércio bilateral entre os dois países, que era de pouco mais de U$ 2 bi no início de 2000, tem oscilado entre U$ 6 bi e U$ 9 bi nos últimos anos. Neste ano, de janeiro a outubro, já registrou cerca de U$ 9,3 bi, sendo a maior marca registrada para o período, podendo fechar o ano com recorde histórico no comércio bilateral. O Brasil é o 3° maior parceiro comercial do Chile e o 1° da América Latina.  As exportações estão localizadas em petróleo; carnes de frango e carne bovina. É o 3º maior fornecedor de veículos e o 5º de máquinas e equipamentos. Minas Gerais é grande fornecedora de soja, carnes, caminhões entre outros constituindo o 8º maior estado participante das exportações para o Chile.

Destacou a relevância dos investimentos bilaterais sendo o Brasil o 4º principal destino; 34,7 bilhões de dólares em setores variados como papel, energia, transporte e também rede de varejo. O Brasil tem investimentos no Chile em diversas áreas como fármacos, tecnologia da informação e finanças.

Lembrou a importância do diálogo empresarial realizado no Conselho Empresarial Brasil Chile que vem tendo iniciativas concretas na aproximação entre os dois países, inclusive na efetivação do Acordo Comercial que entrará em vigor no início de 2022. Neste Acordo, o Brasil assumiu grandes desafios, abrangendo temas importantes, muito além de tarifas, como a inclusão de listas negativas. Abrangerá a área normativa referente à facilitação de comércio, de investimentos, barreiras técnicas, serviços, pequenas e médias empresas e, também compras governamentais, que tem uma perspectiva de 10 bilhões de dólares no curto prazo. Também citou as Medidas Sanitárias que agregaram compromissos da OMC Plus, equivalência de regras e reconhecimento de status sanitários, entre outros.

“Existe uma margem grande de ampliação na relação comercial entre Minas Gerais e o Chile, já que a corrente de comércio bilateral representou cerca de 3%”, afirma.

Agenda futura de cooperação  

Para o embaixador são grandes as oportunidades de negócios entre os países em diversos setores como tecnologia, ciência e inovação e na geração de energia, como a produção de hidrogênio verde. Deu ênfase ao ecossistema local de startups que oferece oportunidades interessantes para o Brasil. O Chile espera se tornar exportador de hidrogênio verde e o Brasil poderá estabelecer uma cooperação nesta área, onde estão projetados investimentos muito elevados.

Para a agenda do futuro especialmente com Minas Gerais, há sinergia com os segmentos da mineração, que equivale a 13% da economia local e demanda uma série de insumos como pneus, explosivos, máquinas e equipamentos etc. No setor de alimentos lembrou do pão de queijo e oportunidades para os lácteos mineiros. Também destacou o setor têxtil, grãos e bebidas com a conhecida caipirinha. Quanto ao setor moveleiro enfatizou as dificuldades de logística da Ásia, fornecedor local.

“A embaixada está de portas abertas para apoiar os empresários mineiros, de qualquer ramo, que desejam exportar para o país”, diz. 

II Ciclo de Conferências sobre a Política Externa Brasileira 

A sessão inaugural do II Ciclo de Conferências: A Nova Política Externa Brasileira foi realizada em setembro, com a palestra do ministro Carlos França sobre a diplomacia da inovação. O II Ciclo de Conferências sobre a Política Externa Brasileira é uma parceria entre o Ministério das Relações Exteriores, a FIEMG e a Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG). Nesta edição, a palestra contou com a mediação do ministro Almir Lima Nascimento, diretor da FUNAG. 

Clique aqui e confira a integra da palestra. 

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