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Brexit e as relações Brasil-Reino Unido

Palestra fez parte do Ciclo de Conferências: A Nova Política Externa Brasileira

Brexit e as relações Brasil-Reino UnidoPalestra fez parte do Ciclo de Conferências: A Nova Política Externa Brasileira “Desde janeiro de 2021, o Reino Unido não faz mais parte da União Europeia tendo concluído um acordo de saída após intensas negociações”, contextualizou Fabiano Nogueira, diretor Consultivo da FIEMG e presidente do Conselho de Política e Mercados Internacionais da FIEMG, na abertura da palestra “O Brexit e as relações Brasil-Reino Unido”, realizada no dia 27/04 e conduzida pelo secretário Marcus Vinicius Moreira Marinho, chefe da Divisão de Europa I do Itamaraty. 

“Europa e Reino Unido concluíram um entendimento comercial baseado no livre comércio, operações e governanças, sinalizando a continuidade da parceria econômica entre as partes”, ressaltou Nogueira, esclarecendo que, em relação ao Brasil, existem questões importantes a serem tratadas, como os novos arranjos de compensações comerciais e a estruturação de um acordo comercial de investimento e de serviços entre os dois países. “Neste momento, existem importantes oportunidades de investimentos para ambos, principalmente nas áreas de logísticas, energia e transporte”, afirmou o gestor.   

Lucas Brown, cônsul do Reino Unido em Belo Horizonte, também participou do evento e deu as boas-vindas aos participantes falando sobre a importância da FIEMG e sua parceria com o governo britânico no Brasil. Também pontuou que o Brexit deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade. “Desde a saída do Reino Unido da União Europeia, o governo britânico vem reformulando seu papel no mundo visando a próxima década”, disse afirmando que o país planeja ações que tornem o Reino Unido e seus parceiros, mais prósperos, fortes e seguros. Para isso, segundo Brown, é necessário reconhecer e enfrentar as grandes mudanças desta nova década. São desafios globais, como a pandemia da Covid-19, mudanças climáticas, aumento da competição entre os países e avanços tecnológicos que mudarão a sociedade. “No enfrentamento dessas questões, o Reino Unido busca, por meio da cooperação com os demais países, mostrar a importância e benefícios de democracias liberais, que atuam em mercados livres, na formação de normas de governanças de novas tecnologias e na garantia da nossa segurança e liberdade”, afirmou. 

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Brown explicou que o Reino atuará fortemente no enfrentamento das mudanças climáticas, que é considerada uma prioridade internacional para a nação e que estão comprometidos com o financiamento internacional com o objetivo de alcançar a meta climática de emissões líquidas zero até 2050. No campo da saúde, o intuito é ajudar o mundo a vencer a Covid-19, com a aceleração de acesso às vacinas e diagnósticos pelo mundo inteiro e também no apoio à reformulação da Organização Mundial da Saúde (OMS), com o aumento de 30% de seu financiamento. Em relação ao Brasil, destacou a parceria entre as nações no campo da saúde, por meio da cooperação entre a Fiocruz, a Universidade de Oxford e a empresa AstraZeneca no desenvolvimento e fabricação, no Brasil, da vacina contra a Covid-19. 

Brexit e o Acordo de Comércio e Cooperação UE-Reino Unido – O chefe da Divisão de Europa do Itamaraty, secretário Marcus Vinicius Moreira Marinho, começou sua palestra dando um panorama geral do que foi o Brexit. Segundo Marinho, em dezembro de 2015 foi criada a base legal no Reino Unido para um referendo de consulta à população sobre a saída do país da União Europeia. O referendo aconteceu em 2016 e 51,89% da população britânica votou pela  saída. “O Reino Unido é formado por quatro países, Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda e o assunto polarizou grupos econômicos, etários e regiões”, explicou, pontuando que o período de transição começou no início do ano passado e durou todo ano. No fim do ano passado foi assinado um acordo para regular a relação entre União Europeia e o Reino Unido. “O Bretix ocorreu há apenas quatro meses e estamos passando por um período de aprendizagem. Sobre o acordo Reino Unido e União Europeia, é um tema complexo e divido em três partes: livre comércio, cooperação penal e civil e a governança das relações futuras”, esclareceu. Pontuou que o acordo prevê controle de fronteiras, mas com exceção da fronteira dura, a qual visa preservar integridade da União Européia; imigração; mercado energético comum e que a coluna central do acordo que esta na não existência de tarifas entre as partes. Também abordou outros temas como o não reconhecimento automático de serviços, serviços financeiros não tem previsão de regulamentações e os Acordos de Continuidade, onde o Reino Unido permanece mas com renegociações individuais. 

Sobre a reinserção global do Reino Unido pós-Brexit, Marinho explica que a estratégia do Reino Unido é se colocar como um país europeu com interesse global, aliado à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e na defesa de valores democráticos e segurança. “O objetivo é que o Reino Unido seja mais ativo para influenciar o mundo”, disse lembrando que o país terá uma participação importante no G7 em junho e na Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP26). Irá trabalhar em defesa do Clima e do desenvolvimento científico e tecnológico. Registrou a relação com os Estados Unidos e a ênfase na região do pacífico, ponto nevrálgico da atualidade mundial. Ao se referir aos interesses do Reino Unido junto aos demais países destacou Brasil e México na América latina, bem como a necessária parceria para as questões climáticas e recursos naturais.   

Segundo Marinho, as relações entre o Brasil e o Reino Unido além de históricas, complexas e estratégicas, têm uma importância fundamental para as urgências do momento, no campo da saúde, economia e desenvolvimento sustentável. Em relação ao Brexithá alguns anos o Brasil vem tomando uma série de medidas para tentar minimizar os efeitos que a mudança pode acarretar e ainda realiza um mapeamendo as oportunidades.  

Em 2020, 1.700 empresas brasileiras exportaram US$3 bilhões em bens para o mercado britânico. O Reino Unido é a 5ª economia global e seu setor de alimentos importa 50% do que consome. Com o Brexit as empresas brasileiras podem disputar novas fatias deste mercado. “Diante deste contexto, o esforço do governo brasileiro está dividido em três frentes de trabalho: manutenção dos tratados existentes, acompanhamento das imigrações e monitoramento das regras de comércio e desenvolvimento”, afirmou.  

O chefe da Divisão de Europa do Itamaraty contou que existe um projeto de monitoramento comercial Brasil Brexit, em parceria com a APEX Brasil, por meio de uma plataforma digital que tem o intuito de consolidar informações que possam afetar, de alguma maneira, os negócios com as empresas brasileiras.Para Marinho, que o Agronegócio está entre os principais desafios nas relações comerciais dos dois países. “O consumidor britânico é bastante sensível quando se trata da questão ambiental e existem informações equivocadas e narrativas distorcidas em relação a nossa produção. Essas narrativas contribuem com a ideia de que a agricultura do país sofre um déficit de sustentabilidade e precisamos desvincular a questão do desmatamento ao aumento da produtividade no campo”, finalizou Marinho, reforçando que, nos últimos 40 anos, o Brasil passou por uma revolução no campo, que envolveu muito investimento e tecnologia. Lembrou o novo sistema britânico de referência geográfica e que as pendências que existiam dentro da UE, podem ser resolvidas, a possibilidade de entraves na administração de cotas para frangos e açúcar e, especialmente, a necessidade de  acelerar os preparativos para um Acordo de livre Comércio.  

Ciclo de Conferências: A Nova Política Externa Brasileira é uma parceria entre a FIEMG e a Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG). Realizado semanalmente, tem como mediador Roberto Goidanich, presidente da FUNAG e a transmissão é via WEBTV FIEMG. A próxima palestra será realizada no dia 5/05, excepcionalmente na quarta-feira, às 17h, com o tema "As relações do Brasil com a Índia e com países do Sudeste Asiático". A apresentação será realizada pela embaixadora Maria Izabel Vieira, diretora do Departamento de Índia, Sul e Sudeste da Ásia do Itamaraty. 

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