Notícia

Criatividade sem limites

Estudo mostra a força da economia criativa. Setor que gera emprego e renda tem muito espaço para crescer

Uma indústria movida pela criatividade e pela inovação está produzindo riquezas e empregos no mundo. Em Minas Gerais, cerca de 460 mil pessoas estão empregadas na economia criativa. O número equivale a 9,84% das vagas formais do setor no Brasil. Em número de empregos, Minas só fica atrás de São Paulo (31,6%). É o que mostra o estudo inédito sobre o perfil da economia criativa no Estado, elaborado pelo Observatório, um núcleo de pesquisa do P7 Criativo, criado por Sebrae, Fiemg e Governo de Minas.

Do total de empregos formais em Minas Gerais, o grupo Cultura é o que mais emprega (54%), seguido de Criações Funcionais (30,3%), de tecnologia e Inovação (9,7%) e de Mídia (6%). “O estudo permite a identificação de vocações regionais, tendências de mercado e oportunidades de investimentos. Tudo isso vem ao encontro da razão de ser do P7 Criativo: o fortalecimento da atividade econômica no estado”, diz o presidente executivo do P7 Criativo, Leonardo Guerra.

Segundo a gerente do P7 Criativo, Márcia Andrade Carmo Azevedo, o último estudo sobre economia criativa que incluía Minas Gerais, foi realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), há mais de cinco anos. “O estudo não comtemplou, por exemplo, o segmento da gastronomia, que é uma forte indústria em Minas Gerais, que fabrica queijos, cachaças e cervejas artesanais, doces e tantas outras iguarias”, diz.

Além de permitir o melhor entendimento do setor, os dados servirão para articular políticas públicas. “A economia criativa é um setor que está crescendo muito. Queremos ocupar o espaço que cabe a Minas, potencializando regiões e segmentos, para que gerem mais renda e empregos no Estado”, diz.

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No estudo, a economia criativa está organizada em quatro grupos, subdivididos em outros treze: mídia (edição/editorial, audiovisual e música), cultura (patrimônio cultural, atividades artísticas e gastronomia, tecnologia e inovação (software e conhecimento), e criações funcionais (arquitetura, publicidade, moda, design e móveis).

A gerente de Inteligência Competitiva, Gabriela Ferreira Franco, destaca a heterogeneidade dos setores envolvidos. “Outro ponto de destaque foi a constatação da forte presença da indústria na economia criativa, considerando que cerca de 50% dos empregos da economia criativa são gerados pela indústria”, aponta.

Segundo ela, o próximo passo será o lançamento de cadernos específicos para os grupos que integram a Economia Criativa (Mídia, Cultura, Tecnologia e Inovação e Criações Funcionais), que vão explorar características e condições de mercados.

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Enquanto a economia tradicional é baseada em recursos limitados e tangíveis, a economia criativa utiliza recursos como criatividade e conhecimento. Ao mesmo tempo, o aperfeiçoamento tecnológico contribui para o aumento do valor das mercadorias. A tendência é global. Prova disto é que a ONU (Organização das Nações Unidas) entende que a economia criativa já responde por 10% do PIB mundial. De acordo com os dados apresentados nesta edição do Observatório, as atividades de economia ocupam 4.654.088 trabalhadores no Brasil.

Em relação ao número de empresas, são mais de meio milhão no Brasil e 63.561 em Minas Gerais, o que corresponde a 12,07% do total no país. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro são os estados que mais se destacam na concentração de empresas e geração de empregos no setor. De modo geral, a economia criativa está presente em todas as regiões do estado, o que reforça o seu potencial de desenvolvimento.

Apesar de existir concentração do setor na região metropolitana do Estado, municípios como Uberlândia, Juiz de Fora, Uberaba e Montes Claros também apareçam como polos criativos. Estes dados se referem exclusivamente à economia formal. Sabe-se que um percentual considerável de empreendimentos e trabalhadores atuam na informalidade.

O estudo foi liderado pelo P7 e pela Gerência de Inteligência Competitiva da FIEMG, com um grupo de trabalho formado pela Fundação João Pinheiro (FJP), Sebrae e Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). O primeiro passo foi analisar as diversas abordagens teóricas e definir um conceito que englobasse as micro e pequena empresas, por meio do Sebrae, o viés industrial, trazido pela FIEMG, o viés cultural e das politicas públicas, característico da FJP e Codemig.

O P7 Criativo é uma iniciativa do governo de Minas, por meio da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), Sedectes e Fundação João Pinheiro (FJP), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e o Serviço de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Destaques de Minas

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A última edição do Minas Trend, promovido pela FIEMG, reuniu 191 marcas de vestuário, bolsas, calçados, bijuterias, joias e acessórios para o lançamento de suas coleções para lojistas de todo o Brasil e exterior. A semana de moda mineira fechou com a expectativa, entre negócios realizados e prospecções estabelecidas durante a feira, de consolidar uma receita da ordem de R$ 200 milhões.

Na cultura, eventos unem gastronomia e turismo, como o Festival de Gastronomia e de Cinema em Tiradentes. “Precisamos integrar ainda mais o turismo à gastronomia regional, valorizando a diversidade do café e dos queijos”, exemplifica Leonardo Guerra.

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Segundo ele, outro caminho passa por potencializar o artesanato do Norte de Minas nos eventos de negócios e fortalecer o potencial do micro produtor da cachaça com os grandes mercados. 

As cervejas artesanais estão em ascenção. À medida que a demanda cresce, aumenta o número de fabricantes. Minas Gerais abriga pelo menos 80 cevejeiros caseiros, conhecidos como "home brew", que produzem para consumo próprio e de amigos.

Segundo o Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas de Minas Gerais (Sindbebidas), o estado conta com nove microcervejarias profissionais, concentradas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, produzindo pelo menos 900 mil litros da bebida por mês. Em número de fábricas, Minas fica atrás apenas de Santa Catarina, que abriga 22 microcervejarias.

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Entre elas, a cervejaria KÜD, empresa criada por amigos cervejeiros em 2010. As cervejas atendem ao quesito qualidade tipo exportação, já que o público interno é exigente. “É um produto diferenciado, sem aditivos ou conservantes. Só aumentamos a produção mantendo a qualidade”, diz a sócia-proprietária da KÜD Ana Paula Ribeiro.

Como surgiu a Economia Criativa

O termo economia criativa surgiu em 1980 na Austrália, mas foi na Inglaterra em 1997, que ganhou força. Na época, o primeiro-ministro inglês, Tony Blair, identificou 13 setores - publicidade, arquitetura, editorial, rádio e TV, design, cinema, música, serviços de software e computador, jogos de computador, design de moda, artesanato, artes performáticas e mercado de artes e antiguidade - capazes de reerguer a economia nacional, chamando-os de “indústrias criativas”. Assim, a criatividade está presente em três grandes áreas da atividade humana: criatividade artística, científica e
econômica.

A partir desses conceitos fica claro que o setor da economia criativa constitui um setor dinâmico, com potencial para promover diversificação econômica, de receitas e inovação. Ao mesmo tempo em que o setor relaciona-se com as áreas de tecnologia e de pesquisa pode reforçar a cultura de uma comunidade, evidenciar seus valores e tradições, contribuindo para a atratividade turística.

Made in Brasil

Em 2017, o Brasil exportou US$ 6 bilhões em bens relacionados à Economia Criativa. O grupo cultura com o subgrupo gastronomia é o mais representativo, com 64% do total exportado pelo Brasil.
Em 2016, o Brasil exportou US$ 18 bilhões em serviços. Os setores relacionados à Economia Criativa representaram 31% do total exportado.

Made in Minas 

Em 2017, Minas Gerais exportou US$169 milhões em produtos relacionados à Economia Criativa. O estado apresentou um crescimento de 41,2% nas exportações no último ano.
Do total exportado por Minas, US$110 milhões estão relacionados à Economia Criativa representando assim, 60% do total das exportações mineiras de serviços.

 

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