Notícia

É possível fazer delícias com farinha de malte? Sim!

Gran Moar, startup de biotecnologia, em parceria com o CIT SENAI, desenvolve farinha produzida com bagaço de malte

Pães, biscoitos, brownies, salgados, doces e massas como macarrão. Deu água na boca só de ler? Agora, imagine todas essas delícias sendo produzidas de maneira mais saudável e sustentável para que você possa consumir sem peso na consciência? E se todos esses quitutes fossem feitos de farinha de malte?  Essa é a ideia da Gran Moar, startup de biotecnologia de BH criada em 2017, que em parceria com o Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas do CIT SENAI, desenvolveu a Farinha de Malte, produzida a partir do bagaço de malte, tradicionalmente descartado pelas cervejeiras. O produto, que em breve estará no mercado, é rico em fibras e uma fonte de proteínas que pode ser utilizado na produção de alimentos mais saudáveis, em substituição dos ingredientes tradicionais.   

“Uma porção de 25g da nossa farinha chega a conter 1,6g de carboidratos, 10g de proteínas e 26g de fibras, dando um total de 87 calorias”, conta Carlos Martins Viana, CEO e Fundador da Gran Moar, explicando que é ideal também para produção de alimentos de rápido consumo como barrinhas de cereais e suplementos alimentares “A ideia do nosso produto é justamente agregar nutricionalmente alimentos já conhecidos no mercado de forma positiva e sustentável”, ressalta. “A estratégia da Gran Moar foi criativa e permite a aplicação de um coproduto para a produção de novos produtos alimentícios de modo sustentável”, afirma Marcella Rocha Franco, analista de Tecnologia do Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas do CIT SENAI.  

GRAN5.PNG

Bom para saúde, melhor ainda para o meio ambiente – A cerveja é uma das bebidas mais consumidas no país e, para cada100 litros produzidos, são gerados de 20 a 40 kg de bagaço de malte, sendo que a média anual brasileira atingiu 2,6 milhões de toneladas em 2014. O bagaço de malte, dentre os coprodutos de produção, representa 85% dos coprodutos sólidos das cervejarias e pode representar um problema para as indústrias na hora de descarte, por ser gerado em alta quantidade e ser perecíveis.   

A Economia Circular tem como base o desenho de produtos, compartilhamento, manutenção, reutilização, remanufatura e reciclagem de materiais. Fazer com que subprodutos das cadeias de produção voltem ao processo, se tornando novos produtos, é um dos seus pilares e um dos impulsionadores da Gran Moar. “Trazemos de volta à cadeia produtiva algo que seria descartado, agregando valor ao produto final, sendo esse nosso principal diferencial perante nossos concorrentes”, explica Pedro Silva Canedo, CPO da startup.  


GRAN.PNG

A ideia da produção da farinha de malte surgiu em março de 2017, quando quatro empreendedores decidiram participar do programa de aceleração Startup U,  do Núcleo de Empresas Juniores da UFMG.. “Desejávamos trabalhar com reaproveitamento da levedura, um coproduto da indústria cervejeira, para produção de uma ração animal”, afirma Viana. O fundador da Gran Moar conta que, para a surpresa da equipe, o maior problema das cervejarias não era o descarte da levedura e sim do bagaço de malte, um coproduto bastante abundante e perecível. “A partir dessa informação, começamos a estudar quais seriam as possíveis soluções que poderíamos propor para resolvermos esse problema e ao mesmo tempo fazendo um estudo de mercado, com o intuito de entender qual seria a melhor estratégia”, afirma Viana. Segundo Canedo, eles perceberam que o mercado de alimentação saudável estava em ascensão e desenvolveram uma tecnologia que permitiu a manutenção de todas as propriedades nutritivas do malte. “Com isso, conseguimos gerar um produto com altos níveis de fibras e proteínas, versátil em receitas e preço competitivo”, pontuou.  

Parceria de Sucesso  – Em 2018 a Gran Moar levou sua ideia para o Centro de Inovação e Tecnologia (CIT SENAI), quando o primeiro protótipo da farinha de malte foi feito. O Laboratório de Alimentos do CIT SENAI foi utilizado para realizar todos os testes do projeto e em 2020, a Gran Moar participou do SEBRATEC e recebeu um aporte que foi essencial para validação do produto.

“Sabemos da seriedade e comprometimento da equipe em realizar um trabalho de excelência. A parceria foi excelente, conseguimos realizar um trabalho muito completo e rico com informações importantes para o desenvolvimento do nosso processo produtivo, além das análises realizadas para validarmos o produto e saber o que estamos entregando para nosso cliente”, afirma Viana.  

“O nosso objetivo foi aumentar a eficiência do processo de produção da farinha a base do bagaço de malte”, afirma Marcella Rocha Franco, analista de Tecnologia do Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas do CIT SENAI, ressaltando que o laboratório trabalha com soluções de pesquisa e desenvolvimento personalizadas para a realidade de cada empresa. “Desta maneira, a solução que desenvolvemos é exclusiva da Gran Moar”, afirma, lembrando as empresas que desejarem desenvolver projetos de soluções de produtos alimentícios a partir dos resíduos, basta entrar em contato com o Instituto pelo e-mail ist-alimentos@fiemg.com.br

Por Denise Lucas

Últimas notícias

  1. Universidade e setor produtivo unidos pelo desenvolvimento do país

    Leia

  2. Indústrias mineiras enfrentam dificuldade para conseguir insumos e matérias-primas

    Leia

  3. Rota 2030 e CIT SENAI são temas de reunião

    Leia

  4. Entidades doam 21 capacetes Elmo para o município de Araguari

    Leia

  5. Oportunidades para a indústria mineira na Petrobras

    Leia

  6. Abertas as inscrições para o Programa de Desenvolvimento de Conselheiros

    Leia

  7. Faturamento da indústria cresce pelo quarto mês seguido

    Leia

  8. Workshop debate importância da água para a indústria de bebidas

    Leia