Notícia

Japão e Brasil: uma parceria histórica que ainda tem muito para crescer

As relações culturais e comerciais entre os dois países foi tema da palestra de Eduardo Saboia, embaixador do Brasil no Japão

“Na boa política é muito importante procurar somar e a diplomacia tem algo muito parecido. O Brasil tem relações com vários países e buscamos, como todos eles, melhorar o comércio, atrair investimentos e cuidar dos brasileiros que vivem no exterior. Aqui, no Japão, fazemos um trabalho coletivo, que não começou e não se encerrará comigo e que não se esgota na figura do embaixador”, assim Eduardo Saboia, embaixador do Brasil no Japão, iniciou a palestra “As relações do Brasil com o Japão”. O evento on-line, que foi realizado no dia 16/06, com transmissão via WEB TV FIEMG, faz parte da programação do Ciclo de Conferências Sobre a Nova Política Externa Brasileira - Diálogos com os Embaixadores.  

Segundo o diplomata, é "lugar comum" dizer que o Japão é o parceiro mais tradicional do Brasil na Ásia. Para ele, essa afirmação corresponde à realidade, pois os dois países possuem vínculos históricos, na questão identidária dos povos, na força das trocas econômicas, na riqueza de nosso intercâmbio cultural, na tradição da cooperação nas áreas de ciência e tecnologia e na convergência de visões de mundo. “Entretanto, esta percepção não pode nos deixar presos a um passado glorioso e devemos levar em conta o enorme potencial e as oportunidades existentes hoje em nossas relações”, alertou Saboia. “Os laços entre Brasil e Japão devem se adequar à profundas modificações ocorridas nas últimas décadas, tanto nos dos países, quanto no mundo”, reforçou, pontuando que as relações bilaterais Brasil/Japão requerem um olhar que não deve ser voltado exclusivamente para o passado e precisamos tratar de aspectos fundamentais do relacionamento presente.  

O embaixador esclareceu que hoje o Japão é a 3º maior potência econômica mundial, cujo sucesso dos desenvolvimentos dos setores econômicos e humanos vem servindo de modelo para países de todo o mundo e de potencias emergentes da Ásia, como a China e Coreia do Sul. “Partilhamos com o Japão valores fundamentais, como a solução pacífica das controversas”, afirmou.  

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No campo político, o Japão é a mais tradicional democracia do leste asiático pós-Segunda Guerra Mundial. Tem compromissos com o Estado de Direito e o Multilateralismo. É um país com uma população de cerca de 127 milhões de habitantes, a 10ª maior do planeta.   

Na dimensão econômica, em 2021, o Japão tem um PIB de US$ 5.4 trilhões, sendo um dos maiores investidores internacionais, com um estoque de capitais no exterior estimado em US$2 trilhões. Em 2020, o Japão foi uma das principais fontes de investimentos externos no mundo, com um volume que ultrapassou US$170 bilhões e isso tem especial importância para o enfrentamento dos feitos da pandemia na economia mundial. 

Em termos de investimentos, o Japão continua sendo um dos principais investidores diretos no Brasil, ocupando a 7ª posição em estoque de capitais, com US$22 bilhões de investimento em nosso país.   

Na área comercial, o Japão foi o responsável por uma corrente de comércio exterior de US$ 1.4 trilhões em 2019, que é mais ou menos o PIB brasileiro e que corresponde a 7,5% total do fluxo comercial. “É, portanto, um importante ator no comércio mundial”.  

Por outro lado, o Japão foi um dos países que mais cedo entrou no ciclo de envelhecimento populacional, sendo que sua população deve sofrer um encolhimento de até ¼ até 2040. “Um país de elevados níveis de renda e de poupança, esta dinâmica leva a saída de investimentos ao exterior”, explicou o embaixador.  

Para enfrentar este desafio, o governo japonês defende a Sociedade 5.0, que é um amplo programa de investimento voltado para a inovação tecnológica e adaptação dos serviços públicos. “É assim que o Japão procura se adaptar as novas realidades domésticas e internacionais”, ressaltou Saboia.  

 "E por que o Japão é importante para o Brasil e o Brasil importante para o Japão?”, questionou o embaixador. O elemento central são os laços humanos, a maior diáspora japonesa está no Brasil com 2 milhões de nipo descendentes. Já o Japão, conta com a 3ª maior comunidade brasileira no exterior, depois dos EUA e Paraguai, com 211 mil brasileiros vivendo no país asiático. “Recentemente celebramos 30 anos desta comunidade no Japão que é composta, principalmente, de nipo descendentes”, contou reforçando que existe um bom relacionamento político, com constantes diálogos, entre os dois países.   

Entretanto, segundo Eduardo Saboia, a força e o potencial do relacionamento Brasil e Japão está no plano econômico. Para o Japão, o Brasil é uma fonte primordial de suprimentos para toda a cadeia produtiva japonesa, principalmente, a de segurança alimentar e para o fornecimento de commodities para o setor industrial. E o Brasil é um destino histórico de investimentos externos japoneses e da internacionalização de empresas nipônicas. “A primeira fábrica da Toyota no exterior, foi no Brasil”, citou como exemplo.  

Mesmo durante a pandemia, as empresas japonesas aumentaram os investimentos no Brasil e um exemplo é a parceria de sucesso da empresa Vale com o conglomerado Mitsui. O minério de ferro é o principal produto brasileiro na pauta de exportação para o Japão. E o principal exportador é Minas Gerais, que corresponde por metade do volume vendido ao país asiático, sendo que em 2017 o Japão foi o responsável pela 3ª receita operacional líquida da Vale. “A Vale e a Mitsui também são parceiras em projetos de logística, no Brasil e no mundo”, afirmou.  

Porém, o Japão é o 6º parceiro comercial do Brasil em corrente comercial, mas, para o Japão, o Brasil é apenas o 25º parceiro. “Vejo uma distorção e precisamos trabalhar para corrigir isso e aumentar a presença de nossos produtos no país asiático. 20% dos produtos brasileiros no mercado japonês são de Minas Gerais, mas ainda é muito pouco. Tenho certeza de que o empresariado mineiro pode mais, principalmente no setor da indústria alimentícia”.  

A presença brasileira é fortemente representada por produtos primários, como minério de ferro, milho, café, aço e alumínio. Saboia destacou o desafio da diversificação da pauta exportadora chamando a atenção para três produtos que tem relevância em nossa pauta de exportação para o Japão: frango congelado, cafés especiais e aeronaves da EMBRAER. “O frango é um caso concreto de sucesso no mercado japonês. O Brasil é responsável por quase 70% das importações japonesas de frango in natura e essa tendência tem se mantido inalterada” e, a Embaixada tem dado apoio na obtenção de certificações sanitárias e em feiras. 

O café se mantém em torno de 30% das importações japonesas de cafés em grãos. Nas cafeterias japonesas é comum encontrar os cafés brasileiros, o que mostra que estamos com boa presença neste mercado. Já na aviação, existem frotas compostas japonesas compostas, exclusivamente, de aviões da EMBRAER. A prioridade estratégica brasileira neste mercado é de diversificação de pauta lembrando que o momento é muito propício pois o Japão já teve autossuficiência alimentar de 70% e hoje está na faixa dos 40%. Isto indica a vulnerabilidade na sua cadeia alimentar e do aumento da necessidade de proteína animal e cereais e, do milho e da soja para a manutenção de seu agronegócio. O Brasil pode complementar a área alimentar japonesa, porém lembrou que países que tem acordo com o Japão, tem reduzidas as tarifas em produtos importantes como é o caso da carne bovina. Chamou a atenção para o altíssimo grau de exigência do mercado japonês na área alimentícia, requerendo alta qualidade, embalagens diferenciadas etc. 

Cooperação em ciência e tecnologia entre Brasil e Japão acontece há 60 anos. O embaixador citou como exemplos o Programa de Cooperação Nipo-Brasileiro para o Desenvolvimento Agrícola dos Cerrados (Prodecer), que contribuiu para a transformação do cerrado brasileiro em uma região produtora de alimentos, e o Sistema Nipo-Brasileiro de TV Digital.  Fez algumas considerações relativas a atração de investimentos enfatizando que a entrada no mercado japonês via participação em filiais é mais viável. Também ressaltou o altíssimo recurso de Fundos de Pensão Japoneses que fortalecem os investimentos externos japoneses, que são crescentes (U$ 1,7 trilhão). O tem Mudança climática é relevante para o Japão e constitui oportunidade para o Brasil. O Japão importa 80% de sua energia primária e seu grande desafio é fazer a transição energética, para nuclear e renovável e o Brasil pode participar desta soluçando dando como exemplo a maior mistura do etanol na gasolina.  

Eduardo Saboia finalizou sua apresentação reforçando que as trocas comerciais entre Brasil e Japão poderiam ser mais intensas, principalmente se barreiras sanitárias forem superadas e se as negociações de um acordo entre Mercosul e o Japão forem retomadas. Com o acordo, seria possível tarifas, retirar as barreiras dos produtos brasileiros, integrar as cadeias produtivas e inaugura uma nova era de investimentos japoneses no Brasil. “Existe um amplo de apoio dos setores privados dos dois países para que esse acordo aconteça”, finalizou o embaixador do Brasil no Japão.  

O  Ciclo de Conferências Sobre a Nova Política Externa Brasileira - Diálogos com os Embaixadores é uma parceria entre a FIEMG e Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) e tem como mediador Roberto Goidanich, presidente da FUNAG. 

Na edição desta semana, Eduardo Saboia, embaixador do Brasil no Japão, foi recebido por Fabiano Nogueira, diretor-consultivo da FIEMG e presidente do Conselho de Política e Mercados Internacionais da Federação mineira e Martha Lassance, chefe da Assessoria Estratégica e Internacional da Federação. “A imigração japonesa no século passado forjou uma relação entre brasileiros e japoneses, sendo que somos o país com o maior número de imigrantes deste país. Minas Gerais teve a honra de receber o maior grande investimento do Japão no pós-guerra, representado pela Usiminas. Posteriormente, entre os anos 1970 e 1980, novos investimentos japoneses foram feitos em outros setores da indústria e na agricultura”, afirmou Nogueira.   

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