Notícia

Meio ambiente também é negócio

Diplomacia ambiental foi o tema da 21ª palestra do Ciclo de Conferências - A Nova Política Externa Brasileira

“O Itamaray tem uma política de portas abertas para todos os setores da sociedade e a iniciativa privada nos fornece insumos técnicos. Aprendemos muito com esse contato”, afirmou o ministro Leonardo Cleaver, diretor do Departamento de Meio Ambiente do Itamaraty, durante a apresentação do tema Diplomacia Ambiental. A palestra, que foi realizada no dia 30/03, com transmissão via WEBTV FIEMG, faz parte da programação do Ciclo de Conferências - A Nova Política Externa Brasileira, que é uma realização do Ministério das Relações Exteriores e da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), em parceria com a Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG). A mediação do encontro foi feita por Roberto Goidanich, presidente da FUNAG.  

Cleaver ressaltou que o tema Meio Ambiente é um dos mais importante para a política externa do país e que tende a ser ainda mais. Segundo o ministro, a pauta ganhou atenção na agenda internacional por volta da década de 1970, com a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, também conhecida como Conferência de Estocolmo (1972) e de lá para cá veio ganhando força e protagonismo. “Foi o momento do despertar da comunidade para o assunto”, afirma.  

“Atualmente, o assunto é um tsunami político, que recebe a atenção de todos os lados, de grandes atores políticos mundiais, assim como dos setores privados, públicos e sociedade civil”, e, a Mudança do Clima é uma ameaça a vida humana, pontuou o gestor.    

O diretor do Departamento de Meio Ambiente do Itamaraty reforçou que, devido às características naturais do Brasil, como sua biodiversidade, o tema ainda é mais importante para nossa diplomacia e que nossos serviços ecossistêmicos trazem benefícios para todo a humanidade. “Isso nos torna um dos atores fundamentais em qualquer negociação relacionada à questão ambiental”.  

O magistrado também chamou a atenção para o fato de que a diplomacia relacionada ao meio ambiente extrapola o próprio tema em si e que está diretamente relacionada às dimensões econômicas e comerciais. “Meio ambiente é negócio. As negociações, cada vez mais, possuem cláusulas que têm impactos comerciais claros e que apresentam significativas oportunidades e riscos de negócios para diversos setores”, afirmou lembrando que os consumidores estão, cada vez mais, dando importância para a sustentabilidade das cadeias de produções dos bens que adquirem.

Destacou a convenção Quadro das Nações Unidas que trouxe a  precificação do carbono a qual tem impactos na economia e nos custos de produção com metas coletivas para os países desenvolvidos e financiamentos. Alertou,  que os países desenvolvidos  vêm usando velados argumentos protecionistas nesta área. A precificação das emissões de carbono cria oportunidades interessantes de negócios para o Brasil, mas também pode se tornar uma ameaça se não for bem administrada.

O palestrante também explicou que a agenda ambiental internacional é dividida em duas sub agendas: A Verde, que trata da conservação dos recursos naturais e preservação de espécies e a Marrom, que cuida das questões ligadas à poluição em suas mais diversas formas.  

Também explicou os principais conceitos e tratados sobre o tema, como o Malthusiano, que surgiu no final do século XVIII, e questiona a relação entre crescimento populacional e a preservação da natureza prevendo a exaustão destes e desastres ambientais caso os países continuassem a crescer; Responsabilidades comuns, porém, diferenciadas, consagrada na Conferência Rio92. “Esse conceito reconhece que não eram os países em desenvolvimentos os vilões ambientais e que as grandes economias industrializadas eram os maiores responsáveis pela maior parte da degradação do meio ambiente pois tem padrões de consumo insustentáveis e os gases de efeito estufa, tem resultado acumulativo que advém do século XVIII”.   

O conceito Desenvolvimento sustentável, também uma vitória diplomática dos países em desenvolvimento em contra posição a visão malthusiana,  que tem como pilares as questões ambiental, social e econômico, conta com o Protocolo de Kyoto (1997), que é um tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que produzem o efeito estufa mas  só para os países desenvolvidos e o Acordo de Paris (2016), que o sucedeu, com o escopo  de mudança climática,  estabelecendo  medidas de redução de emissão de gases estufa para todos, a partir de 2020, mudando a linha da Rio92 e, criação de um Fundo Verde, cujos recursos nunca apareceram e a tendência é de que se transformem em empréstimos.

Ao finalizar destacou  que o nosso desafio é manter vivos os princípios consagrados nas grandes conferências “e que nas negociações prevalece um claro conflito distributivo”.

Ciclo de Conferências: A Nova Política Externa Brasileira -  A palestra Diplomacia Ambiental foi o 21ª evento do Ciclo, que tem o objetivo de promover para os empresários mineiros a posição do Brasil perante a conjuntura externa e o acesso a informações relativas ao comércio e as relações internacionais. “O Brasil está inserido no debate ambiental de forma ampla e central, pois em seu território está a maior floresta tropical do mundo. Com importante papel no ecossistema global, detém grande porção de água doce do planeta e é uma potência na produção de proteína animal, com elevado índice de reaproveitamento e reciclagem de materiais metálicos”, afirma Fabiano Nogueira, diretor Consultivo da FIEMG e presidente do Conselho de Política e Mercados Internacionais da FIEMG, que fez a abertura do evento.   

Mário Campos, presidente do Conselho de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Federação, também acompanhou o evento e endossou as palavras de Nogueira trazendo importantes números da área. “O Brasil tem 66% de mata nativa preservada, 84% da Amazônia, o Código Florestal – um dos mais rígidos do mundo, agricultura de baixo carbono com alta produtividade, menos de 3% de emissão mundial de gás de efeito estufa e uma das matrizes energéticas mais renováveis e limpas do mundo, 45% das matrizes renováveis estão no Brasil”, explicou.  

Agenda- A próxima palestra do Ciclo de Conferências: A Nova Política Externa Brasileira será realizada no dia 7/04, quarta-feira, às 17h, com transmissão pela WEBTV FIEMG. O tema será O Brasil na ONU e o novo cenário internacional, que será presentado pelo ministro Adriano Silva Pucci, diretor do Departamento de Nações Unidas do Itamaraty.  

Últimas notícias

  1. Para ter voz ativa, cuide bem da sua

    Leia

  2. Garanta seu emprego na indústria: SENAI abre inscrições para Aprendizagem Industrial

    Leia

  3. Sabor que leva Minas mundo afora

    Leia

  4. Sua empresa atende todos os requisitos da LGPD?

    Leia

  5. Uma paixão nacional que faz bem para a saúde

    Leia

  6. SESI-MG promove oficina de Robótica on-line

    Leia

  7. Internacionalização de empresas mineiras para os Estados Unidos é tema de webinar

    Leia

  8. Um espaço de aprendizado e troca de conhecimento

    Leia