Notícia

Moda e inovação aliadas no combate à Covid-19

Dalila Têxtil e Companhia Industrial Cataguases inovam ao produzirem tecido antiviral

Para marcar o estilo, personalidade ou mesmo quebrar fronteiras entre gêneros. Você já parou para pensar para que servem as roupas? Inicialmente, era para o básico: manter o ser humano protegido contra os impropérios da natureza. Depois, com o desenvolvimento de tecnologias para sua fabricação, o vestuário passou a ser sinônimo de pertencimento cultural e social, marcando de forma definitiva a nossa relação com o que vestimos.  

Em tempos de crise sanitária como estamos vivenciando, uma outra inquietação, além de cores e cortes, ocupa a mente de quem produz e consume moda: a saúde. Entretanto, essa preocupação não atinge aos consumidores que utilizam peças fabricadas com os tecidos antivirais das empresas Dalila Têxtil e da Companhia Industrial Cataguases

A tecnologia, 100% brasileira, foi desenvolvida pela Dalila Têxtil, empresa que é referência nacional em soluções têxteis em malharia circular. O tecido tem o acabamento com uma fórmula líquida (uma mistura de composto de íons de prata com estabilizante natural) que, por meio de uma ação física e química, quebra a camada de gordura que envolve o vírus, inativando-o e impedindo a sua proliferação. A eficácia é de 99,9% de inatividade em um minuto de contato e o vestuário produzido com esse tecido tem proteção de, no mínimo, 50 lavagens.“No mês de março deste ano a empresa não tinha nem ideia de que iria desenvolver um tecido antiviral mas, em junho, esse produto já representava 25% do faturamento”, conta André Klein, diretor da Dalila Têxtil, acrescentando que a empresa já trabalha com outros tipos de tecidos tecnológicos, como os repelentes a água e a insetos, acabamento UV e antibacteriano.   

Segundo Klein, os testes do tecido antiviral foram realizados na Universidade de São Paulo (USP) e, inicialmente, eram realizados com o vírus do herpes e, depois, com cepas do coronavírus. “Em julho, os testes foram finalizados”, ressalta.  

Para expandir a tecnologia e a produção, a Dalila Têxtil começou uma parceria com a mineira Companhia Industrial Cataguases, que recém completou84 anos de atuação. As duas empresas uniram forças neste momento de crise e o resultado é que o mercado brasileiro e internacional pode contar com os tecidos com acabamento viral.   

A Companhia Industrial Cataguases possui a capacidade de produção de 2 milhões/metros por mês, representa 20% do market share nacional de tecido planos leves de algodão do mercado de vestuário, artesanato e decoração. Além disso, possui presença relevante na exportação, cerca de 25% do faturamento, para países da América Latina, Estados Unidos e Europa. Entre seus principais clientes estão marcas como Renner, Riachuelo, C&A, Aramis, Ogochi, entre outros grandes nomes da moda.  

“O momento delicado pelo qual estamos passando exige sensibilidade e empatia. Por isso, unimos forças com a Dalila Têxtil para acelerar a oferta de acabamentos antivirais que serão usados por nossos clientes na confecção de roupas, máscaras, acessórios e uniformes. Nosso propósito é reduzir ao máximo a contaminação e propagação do novo coronavírus. Acreditamos em um futuro colaborativo e compartilhado em prol do bem maior”, afirma Tiago Peixoto, diretor da Companhia Industrial Cataguases.  

Segundo o diretor da Companhia Industrial Cataguases, quando a empresa estava dando os primeiros passos no desenvolvimento de um tecido antiviral, a Dalila Têxtil anunciou sua descoberta. “Já conhecíamos a Dalila e entramos em contato para termos uma percepção de como estava sendo o engajamento dos clientes e as questões técnicas. Acabamos firmando uma parceria e é nítido a sinergia das duas empresas, não apenas quanto aos valores e propósitos, mas também quanto aos posicionamentos. Enquanto a Dalila tem foco majoritariamente nas malhas, a Cataguases entrou no projeto para dar mais alcance, com o interesse de fazer diferente, que é dar acesso à população a um produto que possa fazer a diferença durante a pandemia do novo coronavírus”, ressalta Peixoto.  

Rogério Mascarenhas, presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem no Estado de Minas Gerais (SIFT-MG), avalia como extremamente positiva a parceria entre as duas empresas. “Esse tipo de inovação vem para o bem-estar”, disse lembrando que, nos últimos anos, passamos por uma série de crises sanitárias, causadas por vírus como H1N1, Gripe Aviária, SARS e Coronavírus. “Outras crises podem acontecer e é um alento saber que a indústria está preparada para dar a sua contribuição para a sociedade”, finalizou o gestor.   

Setor têxtil está em recuperação: expectativa é de recuperação – Mascarenhas esclarece que, se comparado 2019 e 2020, os setores têxtil e de vestuário tiveram quedas, até o mês de julho de 2020, de -17,1%  e -34,7% respectivamente. “Nossa estimativa para o setor têxtil brasileiro é uma queda de 10%”, afirma o presidente do SIFT-MG, lembrando que diversas áreas do setor têxtil ficaram paralisadas entre dois e quatro meses no início da pandemia. 

“Isso causou um descompasso entre a demanda e a oferta”, explica o gestor. Segundo ele, com a paralisação os estoques ficaram baixos. Após as medidas do governo federal, que injetou dinheiro no mercado por Auxílio Emergencial e da MP936, que preservou parte dos empregos, o consumo voltou. Entretanto, as empresas não estavam preparadas causando este descasamento entre a demanda do consumidor e a produção industrial.   “A rápida recuperação do varejo, encontrou um setor têxtil em recuperação, porém com a produção bem abaixo do seu potencial. Mas isso é normal após a desestruturação que ocorreu, devido a pandemia. É uma fase de ajuste, e no caminho do equilíbrio entre oferta e demanda”, afirma.  

Um outro problema enfrentado pelo setor é o aumento do valor do algodão, matéria-prima para as indústrias têxtil, que teve reajuste devido a recuperação do preço internacional e da variação cambial. “A oferta de algodão no Brasil, está tranquila, não há problema de abastecimento. Porém, o preço está aumentando”, afirma ponderando que o setor está desabastecido de fios e material de embalagem, “devido à queda da produção e importação da matéria-prima utilizada para a fabricação dos mesmos”.

Entretanto, o presidente do SIFT-MG está otimista quanto a 2021. “A indústria já está operando a pleno vapor. Até o final do ano, este cenário se mantém, com pressões nos índices inflacionários. A tendência é a estabilização no primeiro semestre de 2021, inclusive com reposição dos estoques ao longo da cadeia e retirada de pressão sobre os preços”, ressalta o empresário. 

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