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Negócios com a Rússia e a Ásia Central

Tema foi apresentado pelo ministro Pedro Murilo Ortega, diretor do Departamento de Rússia e da Ásia Central do Itamaraty

“A Rússia é um país de superlativos. É o que possui maior extensão territorial, maior arsenal nuclear e é também a maior exportadora de energia do mundo. Com esses e outros recursos de poder, é um ator inescapável das relações internacionais”, explicou o ministro Pedro Murilo Ortega, diretor do Departamento de Rússia e da Ásia Central do Itamaraty, na abertura da palestra “As relações do Brasil com a Rússia e com os países da Ásia Central”. O evento, que foi realizado no dia 13/04, faz parte do Ciclo de Conferências: A Nova Política Externa Brasileira, uma parceria entre a FIEMG e a Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), que teve seu presidente, Roberto Goidanich, como mediador.  Segundo Ortega, as relações da Rússia com os EUA, Europa e China são muito importantes para se entender o conjunto do sistema internacional.  “E o Brasil, também faz parte deste cenário”, afirmou.  

O ministro pontuou que as relações diplomáticas Brasil e Rússia foram iniciadas ainda durante o Império, em 1828, há quase 200 anos. “A partir da década de 1990, as relações foram mais institucionalizadas com a criação de mecanismos diplomáticos e de cooperação”, ressaltou esclarecendo que, atualmente, estão em vigência 81 acordos bilaterais vigentes entre os dois países que abrangem os mais diversos temas como economia, comércio, tarifas, turismo, energia, cultura, meio ambiente e educação, dentre outros. “O Brasil e a Rússia cooperam intensamente na esfera internacional no âmbito do British, do G20 e da ONU”.Também pontuou que, até hoje, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, tiveram contato direto cinco vezes e demostraram muito entendimento. “O último contato de ambos foi realizado no dia 06/04, por telefone, o que demostra o bom estado das relações entre os países”, reforçou.  

Ortega esclareceu que a Rússia se encontra entre os 15 maiores parceiros comerciais do Brasil e que nos últimos anos o fluxo comercial, que é a soma das importações e exportações, foi em torno US$ 5 bilhões por ano. “Em 2008 atingimos o recorde de US$7,8 bilhões”, afirmou.

Segundo o diplomata, desde 2018 vem ocorrendo um déficit e em 2020 o fluxo foi de US$4,4 bilhões, 20% a menos em relação a 2019, com um déficit para o Brasil de US$1,190. “Neste ano, o quadro segue negativo para o Brasil, com um fluxo de US$750 milhões, sendo US$150 de exportações e importações de US$600 milhões”.   

 As trocas comerciais entre os dois países são concentradas no agronegócio, com exportações brasileiras de soja, amendoim, café, açúcar, carne bovina e de frango. Os principais produtos importados foram fertilizantes e adubos. “Essas trocas comerciais são importantes para o agronegócio de ambos os países, sendo que a Rússia é a maior exportadora de fertilizantes minerais do mundo. Já o agronegócio brasileiro importa 95% do cloreto de potássio, utilizado como fertilizante, sendo que 40% são oriundos da Rússia. Que é um exemplo de cadeia de valor internacional, pois o Brasil é o maior fornecedor de soja para a Rússia”, explicou. 

Destacou que são três os temas mais relevantes atualmente entre os dois países: a urgência da saúde, com a vacina que está em análise na Anvisa o que tem mobilizado as duas Embaixadas no esforço de cooperação; o tema econômico, ressaltando que o último encontro foi em 2017 e que existem muitos interesses comuns; e a promoção do desenvolvimento sustentável o que é viável de realizar, nos dois países. 

Ao final de sua exposição sobre a Rússia, Ortega convidou os empresários a olharem para o país da Eurásia com mais interesse, como um potencial destino das exportações industriais do Brasil. “É um mercado difícil, mas muito interessante. O PIB é de US$1,4 trilhão e a previsão de crescimento em 2022 é de 2,8%”.  

Ásia Central – O diretor do Departamento de Rússia e da Ásia Central do Itamaraty também explicou para os empresários mineiros como é a relação do Brasil com oito países, Afeganistão, Paquistão, Mongólia, Cazaquistão, República Kinguys, Uberquistão, Turcomenistão e Quirguistão, que compõem a Ásia Central.  

“No Brasil, assim como em outros países, ocorre um enorme desconhecimento sobre as nações da Ásia Central”, ponderando que, entretanto, no ocidente existem várias referências importantes sobre a localidade. “Um exemplo são as viagens de Marco Polo pela rota da seda, que inspirou futuros embaixadores, comerciantes e empreendedores ao longo dos anos”, afirmou ressaltando que o seu interesse com a explanação é despertar o interesse dos presentes pela região. Deu destaque ao oleoduto /gasoduto que chegam até a China e, o projeto ferroviário que esta integrando os países e levando os produtos chineses até o estreito de Ormuz. Assim a Ásia Central esta regatando seu DNA de integração. 

Segundo Ortega, a Ásia Central está adquirindo crescente importância para o mundo e que, apesar do Brasil ter estabelecido relações com a região há 30 anos, o comércio entre ambos ainda é bastante tímido. O ministro repassou também um pouco das características de cada um dos oito países e suas relações comerciais com o Brasil. O Paquistão, com uma população de 200 milhões de habitantes, é o principal parceiro comercial do Brasil na região, e tem buscado atrair empresas para se instalarem na sua zona industrial. No Cazaquistão o destaque ficou com a exportação de aviões da Embraer em 2011 e do recente lançamento do nano satélite brasileiro em função das condições do campo geomagnético. 

Economias complementares - “O Brasil e a Rússia têm economias complementares e são grandes produtores mundiais de matérias-primas e insumos”, afirmou Fabiano Nogueira, diretor Consultivo da FIEMG e presidente do Conselho de Política e Mercados Internacionais da FIEMG, ressaltando que os países da Eurásia são uma potência energética produtora de petróleo, gás e outros minerais, como o potássio, enquanto o Brasil é um dos líderes no mundo quando se trata de agronegócio e de exportação de minério de ferro.

“O comércio entre os dois países é influenciado por essa especialização sendo que os fertilizantes, a soja e a carne são os produtos mais significativos da pauta bilateral, mas certamente existe espaço para uma mudança nesta matriz”, lembrou.

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