Notícia

O agronegócio na pauta dos empresários mineiros

Tema foi apresentado pelo ministro Alexandre Peña Ghisleni, diretor do Departamento de Promoção do Agronegócio do Itamaraty

A Diplomacia do Agronegócio Brasileiro foi o tema da palestra desta semana do Ciclo de Conferências sobre a Nova Política Externa Brasileira. O assunto foi apresentado pelo ministro Alexandre Peña Ghisleni, diretor do Departamento de Promoção do Agronegócio do Itamaraty, que foi recebido por Fabiano Nogueira, diretor Consultivo da FIEMG e presidente do Conselho de Política e Mercados Internacionais da Federação.

Nogueira iniciou o evento, que foi realizado no dia 23/02, dando um panorama geral do agronegócio brasileiro. Segundo o gestor, o Brasil é uma potência reconhecida no agronegócio mundial. “Fizemos uma revolução verde no campo, nos tornando uma potência, que representa 11,2% das exportações mundiais de carne, 10% de café, 26% açúcar, 28% de soja, 22% de milho, 8% de farelo de soja e uma parcela significativa de algodão”, afirmou.  

Em 2020, o Brasil foi o maior exportador de algodão do mundo e segundo Nogueira, esse resultado vem sendo obtido por meio do crescimento da produtividade, que é um resultado direto de uma política agrícola coerente, da utilização de tecnologias aplicadas no plantio, colheita e controle de pragas e da competência e espírito empreendedor dos agricultores brasileiros. “O agrobusiness brasileiro é admirado e, às vezes, odiado, sendo alvo de críticas, com recorrência, de ambientalistas, produtores agrícolas estrangeiros e governos populistas. No entanto, cada ano exportamos mais, para novos mercados, principalmente os asiáticos”, afirmou Nogueira e ainda ponderou que o setor, apesar do sucesso, precisa diversificar as exportações, “apostando em produtos que atinjam mais consumidores e, também, investir na agroindústria”.  

O ministro Alexandre Peña Ghisleni iniciou sua apresentação explicando que estamos vivendo o período áureo do agronegócio brasileiro. Em 2020, o valor bruto da produção agropecuária atingiu R$871 bilhões, sendo a maior desde 1989, e as exportações chegaram a US$100,8 bilhões, menor apenas do que as exportações de 2018. “Estamos batendo recordes, resultado do mérito dos nossos produtores e da atuação do governo brasileiro, que criou condições para que essa produção acontecesse. É um esforço conjunto do Ministério da Agricultura, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX) e do Itamaraty”, ressalta. 

“Mas como o Itamaraty se encaixa nessa equação?”, questionou o ministro. Segundo Ghisleni, a diplomacia neste setor não é nova e o que mudou foi a maneira e ênfase como o assunto é tratado.   

O ministro explicou que a diplomacia brasileira atua em diversos setores, como de promoção da indústria, ciência e tecnologia e o agronegócio. Para ele, foi dada maior importância para a diplomacia do agronegócio atualmente devido ao fato de que, nos últimos anos, o país passou por um processo de desaceleração da economia. “Precisamos de um impulso para que a economia seja retomada e, atualmente, o setor que mais traz divisas para o Brasil é o agronegócio”, afirmou pontuando que, em 2020, 48% das exportações brasileiras foram do agronegócio, sendo ele uma âncora para os equilíbrios macroeconômico e fiscal do país.  “Por isso, parte significativa do corpo diplomático do Itamaraty se dedica ao que chamamos de Diplomacia do Agronegócio”. 

Mas, o que vem a ser essa diplomacia? Segundo Ghisleni, ela é uma articulação do governo e do setor privado, na busca pelo engajamento e capacitação dos produtores brasileiros para o caminho da exportação. “A nossa ênfase é garantir a presença dos produtos brasileiros nos mercados externos com igualdade de concorrência ou em um contexto em que estejamos o mais próximo possível”, esclareceu. 

O Brasil é visto, externamente, como uma potência agroambiental. Os demais países, para proteger seus respectivos mercados, utilizam três barreiras contra os produtos brasileiros: a Sanitária/Fitossanitária, por meio dos certificados que atestam que o produto não será a porta de entrada de alguma peste; a Tarifária, em que os produtos são tarifados de maneira que os impeça de serem introduzidos em determinados mercados; e a Imagem. “Se o bloqueio aos produtos brasileiros não é obtido por meio dos certificados fitossanitários e tarifas, isso pode ser feito através do condicionamento dos consumidores para que acreditem que, consumir produtos de origem brasileira, pode causar algum tipo de dano ao meio ambiente, por exemplo”, esclareceu.  

O diretor do Departamento de Promoção do Agronegócio do Itamaraty finalizou a sua apresentação reforçando que o trabalho feito na diplomacia do agronegócio é de mobilizar o corpo diplomático para a promoção do desenvolvimento nacional e da economia brasileira, no intuito de fortalecer a economia, gerar empregos e renda.   

O Ciclo de Conferências - A Nova Política Externa Brasileira é uma realização do Ministério das Relações Exteriores e da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), em parceria com a Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG). O Ciclo tem o objetivo de promover para os empresários mineiros a posição do Brasil perante a conjuntura externa e o acesso a informações relativas ao comércio e as relações internacionais. As palestras são mediadas pelo diplomata Roberto Goidanich, presidente da FUNAG, e a transmissão é feita pela WEBTV FIEMG. 

Agenda – A próxima conferência será realizada no dia 03/03, às 18h, com a ministra Cecília Kiku Ishitani, diretora do Departamento de Japão, Península Coreana e Pacífico do Itamaraty. A palestra terá como tema Japão, Coreia do Sul e Austrália: Parceiros do Brasil na Ásia-Pacífico

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