Notícia

Roberto Brandão, da UFRJ, ministra palestra na Fiemg

Evento marcou o início das atividades da Câmara da Indústria de Energia

Realizada no dia 3/3, na sede da Fiemg, a primeira reunião do ano da Câmara da Indústria de Energia teve como tema “O impacto do preço horário na comercialização de energia”. O assunto foi conduzido pelo economista Roberto Brandão, que é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador sênior do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL).

Segundo o professor, historicamente o sistema brasileiro de geração de energia tem uma lógica de funcionamento próprio a sistemas hídricos. Desta maneira, as hidroelétricas atendem à maior parte das demandas, sendo que as termoelétricas são acionadas para economizar água nos reservatórios. “Ao contrário do que acontece em outros países, o ajuste fino entre a geração e a carga no Brasil é feito pelas hidroelétricas”, disse.

Entretanto, o especialista apontou que o país está passando por um processo de mudança na matriz de geração. Elas estão sendo capitaneadas por três vetores principais: a redução da participação hídrica na capacidade instalada total do Sistema Interligado Nacional (SIN), a expansão hídrica recente, fundamentada quase que exclusivamente na construção de usinas a fio d´água sem grandes capacidades de armazenamento e um forte movimento de expansão de energias renováveis alternativas, sobretudo das fontes sobretudo das fontes eólica e solar.

Brandão pontuou que na maior parte dos sistemas elétricos do mundo, os preços da eletricidade nos mercados atacadistas do curto prazo variam de hora a hora ou em intervalos mais curtos. Assim, em outros países os preços são mais baixos à noite, fixados pelas termoelétricas de base, com custos variáveis mais baixos. “Durante a maior parte do dia os preços são fixados por termoelétricas a gás, com custos variáveis intermediários”, afirmou. “É inevitável que o setor de geração de energia brasileiro evolua para a adoção de preços horários”. Porém, ele salientou que no Brasil a disponibilidade ou não da geração hídrica é que modula os preços. Então, existe um elevado grau de dependência de regime hidrológico favorável para a garantia de segurança energética. Ressaltou que ocorreu em janeiro deste ano, dentro do mesmo dia, o preço horário de energia (preço sombra) variando do piso ao teto, em razão da situação ruim do nível de reservatórios na região e a limitação de transmissão do sudeste para o nordeste. “É um ponto de atenção para os agentes geradores e consumidores livres daquele subsistema, a partir de janeiro de 2021, quando deverá ser implantado o Preço de Liquidação das Diferenças – PLD horário”, disse.

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