Notícia

Sistema S do Brasil

Confira artigo escrito pelo presidente da FIEMG, Flávio Roscoe

A superação da crise e a consequente retomada do processo de crescimento econômico e de avanços sociais em nosso país passam, necessariamente, pela união dos diversos segmentos da sociedade em um pacto no qual o único e exclusivo compromisso é com o Brasil – e todos devem oferecer a sua cota de sacrifícios. É nesse contexto que vemos o acordo firmado entre o governo federal e as entidades que compõem o Sistema S, no qual se incluem o SESI e o SENAI, ambos vinculados à FIEMG (no estado) e à CNI (no país).

É, de fato, um entendimento que merece comemoração, na medida em que explicita o grau de amadurecimento das lideranças do setor produtivo brasileiro e das próprias autoridades governamentais no âmbito do Ministério da Economia. Dentro do que propôs a FIEMG, desde antes da posse do presidente Bolsonaro, o Sistema S arcará com a redução de 20% na contribuição compulsória que hoje recebe das empresas dos diversos segmentos do setor produtivo – agricultura, comércio, transporte e indústria. De sua parte, o governo compreendeu o sacrifício que será feito pelas entidades e concordou em escaloná-lo, para o setor industrial, ao longo dos próximos três anos.

É um acordo que atende às necessidades de redução do chamado “Custo Brasil”, buscando tornar as empresas brasileiras mais competitivas em relação às suas concorrentes nos grandes mercados globais e até mesmo no nosso mercado interno que, cada vez mais, vem sendo invadido e dominado por produtos importados. Se queremos ampliar a competitividade da economia brasileira e de nossas empresas, é absolutamente justo e necessário que, em vez de apenas cobrar do governo, também ofereçamos a nossa contribuição. É isso, exatamente, que representa a redução de 20% nos recursos recolhidos pelas empresas ao Sistema S.

Na forma como será implementado, o acordo alinha-se também à posição proposta pela FIEMG de concentrá-lo exclusivamente no SESI, preservando integralmente os recursos destinados ao SENAI. Programas, projetos e ações do SESI não serão prejudicados, pois a entidade recebe hoje uma contribuição (1,5% sobre a folha de salário) maior do que a destinada ao SENAI (1%).

A vantagem, para a indústria e para a sociedade, é que o SENAI continuará investindo o mesmo volume de recursos no cumprimento de sua missão de oferecer ensino profissionalizante nos níveis de aprendizagem industrial (totalmente gratuito), técnico, de aperfeiçoamento e superior. São serviços fundamentais e estratégicos para as empresas industriais, uma vez que profissionais qualificados em nível de excelência são e serão sempre um diferencial competitivo da mais alta relevância.

Ao subscrever o acordo em que voluntariamente abrem mão de 20% dos recursos que recebem hoje, as entidades gestoras do Sistema S assumem, adicionalmente, o compromisso de aprimorar o seu modelo de gestão, desafio que encaramos com entusiasmo. Com o corte, como tornou-se comum dizer nos dias de escassez que vivemos hoje, teremos que fazer mais com menos, pois não podemos diminuir nem a quantidade nem a qualidade dos serviços prestados à sociedade pelo SESI e SENAI, entidades consideradas modelo e referência em Minas Gerais, no Brasil e, sim, também no mundo.

De fato, os resultados de SESI e SENAI, presentes em quase 100 municípios mineiros, são realmente expressivos. No Enem, a média das escolas SESI, de 658,34, supera a média das redes pública e privada do país, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro. Na rede SESI Brasil, das 20 escolas mais bem colocadas, todas são do SESI de Minas Gerais. No Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (IDEB) das 22 escolas SESI MG, 14 são as melhores de seus respectivos municípios, e 19 estão entre as melhores de suas cidades. Nossa aluna Ana Luiza Cássia de Bragança, um honroso exemplo do SESI Pouso Alegre, foi aprovada em seis vestibulares de Engenharia – um em segundo lugar, dois em terceiro e um em quinto.

O SENAI está presente em 60 municípios mineiros, com desempenho expressivo. A entidade forma e entrega à indústria brasileira profissionais prontos para construir a competitividade necessária para termos um país desenvolvido. Trata-se, sem dúvida, de um serviço da mais alta qualidade, com resultados para toda a sociedade. Sem o SENAI, não há trabalhadores capacitados. Formamos mão de obra preparada para forjar o Brasil do futuro.

Todos esses excelentes resultados são oferecidos, de forma democrática e aberta, aos jovens de Minas Gerais. Já fazendo mais com menos, otimizamos investimentos e ampliamos, em aproximadamente 10%, o número de vagas em nossas unidades SESI e SENAI no estado. Somente neste ano, são mais de 100 mil alunos matriculados.

Em essência, esse é o patrimônio construído pelo Sistema S no setor industrial. Nosso principal compromisso é mantê-lo e ampliá-lo cada vez mais. Com o corte, necessário para ajudar o Brasil a vencer a crise e fazer a reforma tributária, nossa responsabilidade aumenta. Felizmente, estamos preparados para fazer mais com menos. O compromisso do Sistema S é com o Brasil.

"(...) estamos preparados para fazer mais com menos. O compromisso do Sistema S é com o Brasil."

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