Notícia

Transformações sociais e econômicas por meio do conhecimento

Tema foi apresentado por Fernanda Verdolin durante a reunião do Conselho de Educação e Treinamento da FIEMG

“Tive o privilégio de crescer em um ambiente com educadores, que me estimulou a ser o que eu quisesse ser. De bailarina a atriz de teatro, fui educadora, executiva de tecnologia e marketing e me transformei em uma empreendedora”, afirmou Fernanda Verdolin, na abertura da palestra Como construir um novo modelo de educação com profissões e demandas que ainda não existem? O tema foi apresentado no dia 20/07, durante a reunião do Conselho de Educação e Treinamento da FIEMG 

A educadora, que é founder e CEO da Workalove Edtech, uma startup voltada para o setor de educação, se diz uma empreendedora inconformada com o sistema educacional tradicional. Segundo Verdolin, a maior parte dos estudantes escolhem o curso superior por afinidades e influência familiar, não considerando o lado racional, que leva em conta o talento, paixões e valores. “Eles não vivenciaram, na prática, o saber fazer e a chance de que eles desistam no meio do caminho é muito grande”, afirmou.  
 
Também pontuou que isso acontece devido ao chamado paradigma do emprego, apregoado no atual modelo educacional. O paradigma do emprego é um modelo mental que define que o profissional tem capacidade e oportunidade apenas em um espaço previamente determinado, enquadrando-o de maneira limitante, tendo com base apenas em algumas de suas potencialidades.  “Para sair desta caixa será necessário romper com uma visão de mundo que ainda é propagada pelo sistema educacional tradicional”, reforçou.  

Para a empreendedora, o sistema educacional tradicional é desconectado com a realidade e reflete o tempo em que foi criado, o período da Revolução Industrial. Por isso é linear, repetitivo, segmentado e previsível. “Exatamente como uma fábrica. Não podemos ter uma lógica do século XVIII aplicada para profissionais do século XX, em pleno século XXI”, disse esclarecendo que o potencial humano é o inverso: não linear, multidisciplinar, conectado e imprevisível.  

“Continuamos preparando nossos futuros líderes para atuarem em uma realidade que só faz sentido para nossos avós, uma realidade conectada a era industrial. Para outras gerações trabalhar significava atuar em profissões bem definidas e carreiras lineares, com cargos hierarquicamente organizados, que permitiam um crescimento previsível”, afirmou Verdolin. 

Para aquele momento, ela pontuou, isso fazia todo sentido, mas que não se aplica mais ao mundo atual, em que as pessoas precisam transitar em diferentes realidades. “Isso é o mundo pós-digital, que ficou evidente com a pandemia. Todos nós estamos tendo que trabalhar em um grande redesenho da educação. Mobilizando outras especialidades, que envolve os mais diferentes contextos de nossas vidas, estamos sendo convidados, diariamente, a sair de nossas caixas de conhecimentos, para atuar com outros profissionais, de outras áreas, de outras gerações, com visões de mundo diferente que irão gerar impactos sequer imaginados”, ponderou afirmando que isso só será possível com a integração de pessoas de diferentes realidades e que estão dispostas a gerar infinitas possibilidades. 

"Estamos vivendo uma verdadeira mudança de era, que não é uma realidade apenas no exterior, que nos desafia a nos adaptarmos para determinar nossa sobrevivência como profissionais, como negócio educacional e como nação”, reforçou apontando que o engessamento da grade curricular brasileira pode fazer com que os alunos questionem a relevância de se ter um diploma.  

Mas a palestrante argumenta que estes fatos não significam que o conhecimento perdeu a relevância neste novo mundo. Pelo contrário, ele continua sendo fundamental e absoluto. “O conhecimento é poder e continuará sendo a principal forma de se promover transformações sociais e econômica para nossos estudantes”, afirmou.  

A CEO da Workalove Edtech também apresentou o conceito Aprender para a vida toda, que traz como base a trabalhabilidade, em que é a capacidade de gerar trabalho, renda e riqueza em diversas atividades. Também apresentou dados da pesquisa Educa Insights, de março de 2021, que aponta que 69% das instituições acham que os alunos recém-formados estão bem-preparados para o mercado de trabalho, mas que, na outra ponta, apenas 39% dos empresários consideram o preparo suficiente. A mesma pesquisa aponta que 75% dos gestores educacionais fariam alguma alteração na grade curricular atual para adequá-la a nova realidade do mercado. 

 Segundo a palestrante, mais mudanças estão por vir. Atualmente existem 30 milhões de trabalhadores formais no Brasil e que a tendencia é que, até 2026, 54% desta mão de obra seja substituída por máquinas. Já as atividades laborais, 60% delas podem ser automatizadas e 85% das atividades que existirão em 2030 ainda não foram inventadas. “Os atuais egressos do ensino superior terão em média seis carreiras diferentes ao longo de sua vida”, afirmou. 

Educação em debate – O Conselho de Educação e Treinamento da FIEMG se reúne periodicamente para discutir assuntos referentes ao setor. O colegiado é presidido por Paulo Roberto Henrique, que destacou, na abertura da reunião, a importância do momento que a educação está vivenciando, com o retorno, gradual das aulas presenciais. “Isso nos dá um pouco de alegria, pois as crianças e adolescentes foram mais impactados, pois eles perderam algo que é fundamental: o convívio e a ligação com os colegas e professores. Essa volta, mesmo que gradativa, nos dá um alento, uma esperança de que, até o final deste ano, tenhamos uma escola mais viva, com os alunos contaminados pelo conhecimento e não pelo coronavírus”, ressaltou Henrique.

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