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Por que as empresas e destilarias deveriam investir em tecnologia na produção de cachaça?

Artigo de Humberto Vinícios Faria da Cunha - Analista de Tecnologia do CIT SENAI

Por que as empresas e destilarias deveriam investir em tecnologia na produção de cachaça?

Países no mundo todo são conhecidos por suas bebidas típicas. Nas palavras de Cavalcante (2011, p. 31) um “povo que se preze” desenvolve sua bebida alcóolica característica. Um exemplo é o que ocorre na Escócia com o uísque, na Rússia com a vodca, na França com o conhaque, nos Estados Unidos com o bourbon, no Peru com o pisco e em Cuba com o rum (TRINDADE, 2006). As bebidas alcóolicas são consumidas desde os primórdios civilizatórios, iniciando-se com as bebidas fermentadas e logo em seguida, com a destilação. No caso do Brasil, a cachaça, bebida destilada, é a bebida genuína do país.

Até o século XX, a cachaça brasileira era conhecida como aguardente. A primeira vez que houve menção à cachaça produzida do Brasil, oriunda do caldo da cana-de-açúcar, foi em 1816, quando o príncipe alemão de Wied-Neuwied, em viagem ao Brasil, escreve a palavra “Cachaza” para se referir à bebida produzida nos engenhos baianos (CASCUDO, 1986). Bebida esta que o príncipe alemão descrevia como forte, perigosa e espirituosa que deixava os índios em estado anormal, incapazes de reprimir suas paixões (COSTA, 2008). A cachaça brasileira, desde então, vem ganhando espaço em momentos históricos do país, nas legislações, nas mesas de restaurantes do Brasil e do exterior e caindo no gosto de seus apreciadores. Segundo dados do Anuário da Cachaça, edição 2020, há, no Brasil, 894 estabelecimentos produtores de cachaça, com destaque para o estado de Minas Gerais que concentra o maior número desses registros, com 375 estabelecimentos e a cidade de Salinas como o município brasileiro com maior número de registros, com um total de 21 estabelecimentos. Minas Gerais também ocupa o primeiro lugar de estado com maior número de marcas de produto cachaça registrado, revelando a concentração mineira de registros da bebida, tanto em número de estabelecimento como em número de marcas registradas (BRASIL, 2020).

 A cachaça é um vocábulo de origem e uso exclusivamente brasileiros, por força da proteção dada pelo Decreto nº 4.062, de 2001 que estabelece que o uso da expressão "cachaça" é restrito aos produtores estabelecidos no país. Essa proteção geográfica é reconhecida internacionalmente com o Decreto nº 9.658, de 28 de dezembro de 2018 que promulgou o Acordo entre a República Federativa do Brasil e os Estados Unidos Mexicanos para o Reconhecimento Mútuo da Cachaça e da Tequila como Indicações Geográficas e Produtos Distintivos do Brasil e do México (MAPA, 2019). No entanto, antes mesmo que a proteção da indicação geográfica da bebida acontecesse, Minas Gerais já despontava como um estado pioneiro na regulamentação da cachaça artesanal produzida em alambiques de cobre, com separação das frações indesejáveis chamadas de “cabeça” e “cauda”, priorizando-se a parte nobre denominada de “coração”, produzida em menor escala, inspirada muitas vezes na ancestralidade da produção.

Entendeu a importância  histórica da CACHAÇA para nós mineiros? Por isso o Dia da Cachaça, comemorado em 13 de Setembro, tem um gostinho especial para a indústria e o consumidor.

Dito isso, separamos três motivos pelos quais as empresas e destilarias deveriam investir em tecnologia na produção de cachaça:

 

  1. MELHORIA DA COMPETITIVIDADE COM PDI

Uma empresa que investe em tecnologia e inovação, no âmbito da pesquisa, desenvolvimento e inovação (PDI), permite abrir novos mercados e pode possibilitar também uma redução de custos aumentando a competitividade, e por consequência aumentando seu poder de barganha.

Se antes o consumidor tinha menos opções no mercado e se contentava com elas, hoje ele pesquisa, avalia preços, qualidade, verifica as qualificações da empresa e muito mais, logo, investir em inovação além de possibilitar sua empresa a sair na frente e se destacar, aprofunda e fortalece ainda mais o relacionamento entre empresa e clientes e, pode ainda criar parcerias de negócio sólidas que agreguem valor para todos os envolvidos, o que pode tornar mais palpável a expansão de mercado.

 

  1. PADRONIZAÇÃO DA ROTULAGEM

Rotulagem de alimentos são essenciais para a comunicação entre produtos e consumidores. Daí a importância das informações serem claras em cada rótulo e poderem ser utilizadas para orientar a escolha adequada de alimentos.

Investir em inovação e tecnologia também é investir em suporte técnico para evitar erros ao construir um layout de rótulo e processo de registro. Os rótulos que são incoerentes ao alimento oferecido pela marca, podem ser enquadrados pela fiscalização como enganosos e correm o risco de sofrer sanções conforme legislação.

  

  1. MELHORIA DE RESULTADOS COM INDICADORES DE QUALIDADE

Para elaborar o plano estratégico de uma empresa não basta estipular metas sem fundamentos, se faz necessário elaborar o planejamento, por isso os KPIs (Key Performance Indicator), ou indicadores, de qualidade são necessários.

Quando o planejamento estratégico passa a ser elaborado com base em dados trazidos pelos KPIs, a decisão do gestor é mais assertiva.

Dessa forma, é possível eliminar o maior número de erros, principalmente aqueles que aparecem com frequência. Evitando o retrabalho e ações que prejudicam o melhor desempenho das atividades, o gestor passa a conduzir melhor suas diretrizes. O aumento de produtividade vem como consequência, dessa organização corporativa.

 

Referências Bibliográficas

CASCUDO, L. C. Prelúdio da Cachaça: etnologia, história e sociologia da aguardente no Brasil. Belo Horionte, MG: Editora Itatiaia Limitada, 1986. 82p.

CAVALCANTE, M. S. A verdadeira história da cachaça. São Paulo, SP: Sá editora, 2011. 606p.

COSTA, C. R. O Príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied e sua viagem ao Brasil 1815 1817). 140f. 2008. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 2008.

TRINDADE, A.G. Cachaça: um amor brasileiro. Editora Melhoramentos, São Paulo, 2006. 159p.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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