Notícias

Oportunidades de negócios com a Alemanha

Roberto Jaguaribe, embaixador do Brasil na Alemanha, realiza palestra para empresários mineiros

Fotos: Sebastião Jacinto Júnior

“A Alemanha é o principal parceiro comercial do Brasil na União Europeia e o quarto em termos gerais. A corrente comercial entre os dois países totalizou US$13, 5 bilhões em 2020, resultado inferior a 2021, dado os impactos da pandemia”, afirmou por Fabiano Nogueira, diretor-consultivo da FIEMG e presidente do Conselho de Política e Mercados Internacionais da Federação mineira, na abertura da 7ª palestra do Ciclo de Conferências Sobre a Nova Política Externa Brasileira - Diálogos com os Embaixadores. O evento, que foi realizado de forma on-line e com transmissão via WEB TV FIEMG no dia 23/06, teve como convidado Roberto Jaguaribe, embaixador o Brasil na Alemanha.    

“Nossa balança comercial é amplamente deficitária com a Alemanha, o Brasil exporta produtos básicos, como café, minério, soja e motores. Por outro lado, importa bens manufaturados, como máquinas, equipamentos, químicos, fármacos, elétricos e eletrônicos. Precisamos mudar isso”, reforçou Nogueira.  Também participou da abertura do evento, Martha Lassance, chefe da Assessoria Estratégica e Internacional da Federação.  

“Estou diante de uma plateia sofisticada e com conhecimento sobre questões fundamentais. A embaixada do Brasil na Alemanha, representa o país, as federações e as indústrias, e para nós é muito importante ter uma interação ativa que nos permita aperfeiçoar e mesmo, corrigir, caminhos que tenham sido adotados para a nossa estratégia de aproximação com a Alemanha”, afirmou o embaixador Roberto Jaguaribe no início da palestra “As relações do Brasil com a Alemanha”.   

A Alemanha é o maior país da Europa com protagonismo muito elevado sendo uma referência global e hoje, conhecendo as sensibilidades dos demais atores, não mais cobiça uma liderança global.

Fica em uma área de convergência na Europa de transição e de multiplicidade, fazendo com que o país seja composto por diversos grupos germânicos. Este fato, somado a sua geografia com fronteiras extensas, marcam sua forte noção de defesa e postura aguerrida . É uma república federativa, com 16 regiões, com número limitado de partidos políticos. 

O eleitorado alemão tem alta maturidade e os partidos políticos em número restrito, mantém um Parlamento equilibrado, com as coalizões entre os mesmos. Ressaltou que o Partido União Cristã é o majoritário; o Social Democrata é o mais antigo e o Verde, detém 20% de preferência com crescimento vertiginoso em função das causas ambientais. Sobre o Liberal , lembrou do seu alinhamento com o empresariado. menor expressão, a esquerda, o Partido Link e a direita mais radical.  Para Jaguaribe, a história alemã evidência sua competência que faz com que o país se destaque em setores como ciência, artes, militar, política e representatividade. “Esse compromisso com a excelência continua até hoje. Isso faz parte do Estado, que oferece serviços de alto nível, em todas as áreas, da Educação à Infraestrutura”, explica.   

Segundo o embaixador, a Alemanha é um país de muita relevância no cenário internacional, com protagonismo elevado, história rica e complexa. Uma nação que se dedica às relações multilaterais e que cada vez mais se abre para uma presença global não apenas restrita à dimensão econômica comercial e tecnológica. “E isso é feito com muita cautela e parcimônia, com atenção especial às relações multilaterais e abertura cada vez maior nas dimensões econômicas, comerciais e tecnológicas.  

O país é uma grande economia, a 4ª do mundo em termos nominais, a 5ª em poder de compra, a maior economia da Europa, o maior país daquele continente em termos de população e com diversas vantagens geográficas e benefícios públicos elevados propiciando elevado padrão de vida a sua população 

A indústria da Alemanha, tradicionalmente, é muito forte, com um percentual de PIB de 30%. “Muitas vezes, superior a de muitos países europeus. Conseguiram isso por meio de um investimento maciço em competência tecnológica, pesquisa,   irrigação de recursos na economia, rede de instituto de pesquisas, sistema educacional competente e valorização de competências técnicas e, integração do sistema produtivo ao sistema educacional com a valorização da formação técnica.  Para se ter uma boa renumeração não é preciso ter curso superior”, ressaltou. Também pontuou que a Alemanha, na Europa,  criou a  indústria 4.0  para modernizar seus parques industriais e consequentemente capacitando sua população. Sobre as tecnologias de informação e telecomunicações levaram ao crescimento do país mas com distanciamento dos Estados Unidos e China, o que é fator de grande preocupação para o povo alemão.  

Sobre a política externa, o embaixador contou que no pós-Guerra a Alemanha tinha algumas prioridades, como o alinhamento com o mundo ocidental, principalmente com a Europa ocidental e com os Estados Unidos. “Após a Segunda Guerra Mundial, não se aventurou em uma política externa intensa e adotou uma agenda pacifista, devido ao seu histórico nas primeiras e segundas guerras mundiais. Mas isso não impediu que, a partir de 1950, investisse em outros países, como fez com a indústria automobilística no Brasil”, pontuou. As relações históricas entre os dois países, a imigração alemã para o Brasil ocorre há mais de 200 anos, e atualmente cerca de 10 milhões de brasileiros se declaram descendentes de alemães.  

O embaixador do Brasil na Alemanha também ressaltou que a questão ambiental é algo extremamente importante para o país europeu e que está servindo de trampolim para a mudança nos processos de produção e de uma transição energética, com criação de novas fontes. “Tem um compromisso genuíno com a questão climática”. Lembrou que junto as questões ambientais , mais dois temas são fundamentais nesta nova etapa de inserção global: as consequências da pandemia com as rivalidades sino americanas que levarão a uma revisão das cadeias globais e possivelmente um retorno ao protecionismo.  Também destacou que existe um enorme potencial para aumentar a parceria entre os dois países, seja pela presença imigratória e industrial alemã no Brasil, ou pela questão ambiental. “O Brasil é uma grande potência agroambiental do mundo”, afirmou.

 A importância da integração com a Alemanha Oriental, em determinado período, levou a investimentos maciços na região e no entorno, desviando a atenção para com outros países e que hoje seu maior parceiro comercial é a China para onde direciona maior parte de suas exportações de máquinas e equipamentos . 

Abordou o Acordo UE MS o qual sempre foi defendido pela Alemanha, condição nem sempre compartilhada por outros países da União Europeia. A relevância sócio político da Alemanha cria embaraços de defesa pública de certas posições, ainda mais considerando o momento de eleições. Sobre a adesão do Brasil a OCDE, a Alemanha é favorável mas vê dificuldades no processo. Finalizou dando ênfase ao cuidado que o Brasil deverá terno trato das questões ambientais, cada vez mais sensível nas lideranças globais.  

Após a apresentação, Jaguaribe respondeu às perguntas enviadas por representantes do setor industrial sobre assuntos como acordos bilaterais, oportunidades de negócios e inovação e tecnologia.  

Ciclo de Conferências Sobre a Nova Política Externa Brasileira - Diálogos com os Embaixadores é uma parceria entre a FIEMG e Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) e tem como mediador Roberto Goidanich, presidente da FUNAG. A próxima palestra do Ciclo será realizada no dia 30/06, às 9h, com transmissão via WEB TV FIEMG. O convidado será Luís Henrique Sobreira Lopes, embaixador do Brasil na Coreia do Sul, que irá explanar sobre as relações entre os dois países.   

Últimas notícias

  1. Programa Economia Circular da FIEMG é desenvolvido em indústrias em Montes Claros

    Leia

  2. Representante do Brasil na União Europeia realiza palestra para empresários mineiros

    Leia

  3. Otimismo dos industriais permanece, mas em menor intensidade

    Leia

  4. Presidente da Apex-Brasil visita a FIEMG

    Leia

  5. Soluções para o setor automobilístico do país

    Leia

  6. Aumento da taxa SELIC é visto com preocupação pelo setor produtivo

    Leia

  7. Infraestrutura de Minas Gerais em foco

    Leia

  8. Você pode contribuir para evitar a escassez hídrica

    Leia