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Representante do Brasil na União Europeia realiza palestra para empresários mineiros

Embaixador Marcos Galvão foi o convidado do II Ciclo de Conferências sobre a Política Externa Brasileira

“Nós estamos sempre prontos a dialogar com setores empresariais de modo a esclarecer, informar e apoiar no que for possível”, afirmou embaixador Marcos Galvão, chefe da Missão do Brasil junto à União Europeia em Bruxelas, na abertura da palestra "As Relações Brasil-União Europeia", realizada no dia 15/09 de forma remota com transmissão via WEBTV FIEMG.  

O embaixador deu um panorama sobre a União Europeia (UE), que atualmente conta com 27 Estados-membros, 23 línguas diferentes, sendo que inglês funciona como um idioma básico de trabalho. Medindo 4.476.000 km², tem quase a metade do Brasil e densidade populacional mais ou menos quatro vezes maior do que a brasileira.   

Entretanto, ponderou Galvão, que as diferenças econômicas são maiores e ainda mais evidentes. O PIB da UE é de US$15,8 trilhões, ligeiramente superior ao da China (US$14,7 trilhões) e bem menor do que o dos Estados Unidos (US$21 trilhões). "O PIB do Brasil em 2020 foi de US$1,45 trilhões, o que representa aproximadamente 10% do PIB da UE. Em termos de PIB per capita, a economia da União Europeia é cerca de cinco vezes maior do que a nossa”.  

A corrente de comércio total da UE em 2020 foi de US$2,3 trilhões, que representa 12,5% do total do comércio mundial e fica atrás da China, que teve US$2,6 trilhões e a frente dos Estados Unidos, com US$1,4 trilhão. A pauta exportadora é muito diversificada e se destaca em itens como medicamentos, automóveis, produtos imunológicos, telefones celulares, computadores e equipamentos de conexão à internet.  

“Mas, um dado pouco difundido, é que a UE é a maior exportadora mundial de produtos agroalimentares e a terceira importadora mundial desses produtos”, ressaltou Galvão. A exportação vai desde commodities até produtos altamente processados e qualificados, como vinhos. Os produtos alimentares e agrícolas básicos respondem por 75% pauta de exportação e tem sido impulsionado pelo aumento da demanda de carne suína e trigo.  

No comércio bilateral, de janeiro a agosto deste ano, a exportação foi de US$49,5 bilhões, maior do que com os Estados Unidos correspondendo a 15% do nosso comércio. Quanto ao comércio agrícola, o Brasil é o segundo provedor de produtos agroalimentares da UE, sendo a segunda fonte de provimento de produtos agroalimentares europeia, depois do Reino Unido, e respondemos por 9% do total importado por eles. Como parceiro comercial como um todo, a União Europeia é o 2º, atrás da China. 

Segundo Galvão, a União Europeia é o primeiro mercado de destino do café brasileiro, que também compra frutas, sucos, carne de peru, de frango, soja, celulose, papel, aço e minério de ferro, dentre outros. “A UE comprou 51,5% de tudo que Minas exportou em 2020, de café a minério” fazendo com que o Estado tenha um saldo comercial de cerca de 5,5 bilhões de dólares”, disse, afirmando que outro dado importante é que o Brasil está entre os destinos de investimentos diretos externos da UE, sendo o terceiro no mundo com presença marcante de empresas europeias.

Também destacou o chamado mecanismo de ajuste de carbono na fronteira foi criado em julho deste ano com o intuito de estabelecer uma taxa de carbono sobre produtos importados e faz parte do Acordo Verde Europeu. Destacou a importância deste tema para a UE, que perpassa inclusive pela soberania tecnológica. Lembrou também da liderança da Alemanha nesta agenda que envolve a redução de pesticidas, bem estar animal , biodiversidade,  áreas protegidas, entre outros temas. Em relação ao Brasil diante das questões de meio ambiente registrou que este pode ser menos prejudicado no seu comércio, o que é acompanhado constantemente pela Comissão Europeia mas em contra partida destacou a relevância do controle do desmatamento ilegal e da exigência de certificações obrigatórias. O chefe da Missão do Brasil junto à União Europeia em Bruxelas ainda ressaltou a importância do Instituto Rio Branco, que é uma das academias diplomáticas mais antigas em funcionamento.  

O Embaixador Marcos Galvão abordou aspectos relativos a pandemia destacando a dura etapa pela qual a Europa passou, sendo a segunda região mais afetada, com 37% dos casos totais. Vivenciou muitas críticas e colocou em discussão o projeto de integração, o qual saiu mais forte. A contração do PIB de 5,9% em 2020 já esta se recuperando, com crescimento de 2,2% no primeiro semestre. Há ainda preocupação com o futuro em função de novas variantes, da disrupção de cadeias produtivas importantes e redução gradual da liquidez financeira. 

Ao finalizar trouxe a sua percepção pessoal com a recomendação pertinente: importantíssimo que os dois lados se conheçam melhor. A UE não é um velho mundo como os brasileiros muitas vezes o colocam, a UE é novidade em (re) construção do pós Guerra;  são 27 democracias em constante construção e negociação com um parlamento com 750 membros e, eles se vêm em um lugar diferenciado, de destaque  apesar de ter que rever algumas variáveis. Para o Brasil, o relacionamento com a UE tem as similaridades, diferenças econômicas e variedade de formas de integração refletindo em decisões distintas. Porém o Brasil não ocupa o espaço proporcional ao seu tamanho e expressão estratégica. 

Diálogo entre a política internacional brasileira e o setor privado – A palestra "As Relações Brasil-União Europeia" faz parte da programação do II Ciclo de Conferências sobre a Política Externa Brasileira.  A iniciativa, que é uma parceria entre o Ministério das Relações Exteriores, a FIEMG e a Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), tem como mediadora a embaixadora Márcia Loureiro, presidente da FUNAG, e o intuito de promover o diálogo entre o setor produtivo mineiro e a diplomacia brasileira, fortalecendo, desta maneira, o comércio externo do estado e gerando oportunidades de negócios.  

O seminário do dia 15/09 contou com a abertura de Fabiano Nogueira, diretor-consultivo da FIEMG e presidente do Conselho de Política e Mercados Internacionais da FIEMG, que destacou que "União Europeia é um dos maiores investidores em termos de estoque de capital e fluxos de recursos para o nosso país”. “Esta relação poderá ser ainda mais profunda a partir da entrada em vigor do Acordo de Livre Comércio assinado entre o MERCOSUL e a União Europeia e que se encontra em fase final de revisão”, afirmou Nogueira.

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