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Indústria 4.0: como engajar o Brasil nessa revolução

Evento que integra a Semana da Indústria colocou o assunto em debate na FIEMG, com participação de especialistas e empresários mineiros

A indústria 4.0 está provocando uma mudança mundial de paradigma e o Brasil não pode deixar de se engajar nessa dinâmica. Para o país, entretanto, a migração para o sistema de manufatura avançada não deverá ser fácil, dada a carência de capital e o excesso de mão de obra do mercado brasileiro. “A entrada do Brasil na quarta revolução industrial será um caminho doloroso, mas sem volta”, ressaltou o vice-presidente da FIEMG, Lincoln Gonçalves Fernandes, na abertura do evento “A Indústria Mineira na Quarta Revolução Industrial”, realizado no dia 23/5, na sede da entidade, como parte da programação da Semana da Indústria 2018.

Para Fernandes, produtividade, flexibilidade, integração e informação são conceitos fundamentais para a competividade dentro da onda de digitalização da economia, e a indústria nacional precisa se preparar. “É preciso entender o que é commodity e o que é nicho de mercado. É possível para o mercado conviver com as duas hipóteses”, salientou.

O presidente eleito da FIEMG, Flávio Roscoe, destacou o tamanho do desafio que a indústria brasileira tem pela frente. “Estamos diante de uma das maiores questões para o setor produtivo, que é descobrir como se relacionar com as mudanças tecnológicas que estão vindo quando muitas empresas nem mesmo consolidaram as transformações  da terceira revolução industrial (3.0)”, disse.

Segundo Roscoe, a indústria avançada representa uma janela de oportunidade que os empresários não devem temer. Números apresentados durante o evento confirmam o alto valor dessa revolução. De acordo com o coordenador da Indústria 4.0 da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e um dos palestrantes, Bruno Jorge Soares, a quarta revolução industrial representa para o Brasil cerca de R$ 73 bilhões em redução de custos. “É o que o país pode ganhar com eficiência energética, soluções de manutenção e outras aplicações da Indústria 4.0”, destacou Soares.

O Brasil, entretanto, está atrasado nesse processo, como reforçou o superintendente de Ambiente de Negócios da Fiemg, Guilherme Veloso Leão. “Seja por baixa disponibilidade de investimento ou por outros fatores, há um processo de evolução grande a ser trilhado”, reiterou Leão. Ele destacou resultados de uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre o assunto que mostra que, dentro um universo de 2,3 mil indústrias, 52% desconhecem um rol de 10 tecnologias consideradas habilitadoras à Indústria 4.0.

Leão lembrou ainda que não existem “ilhas de Indústria 4.0”, mas que todas as cadeias produtivas devem estar alinhadas com os padrões.

Nesse sentido, o sócio da Mckinsey & Company, Henrique Ceotto, que também participou das apresentações, provocou a plateia com a questão: “daqui a 30 anos, será possível imprimir um carro. Quantas siderúrgicas que hoje fornecem chapas de aço para montadoras estão se preparando para isso”.

Desafios da Inserção – “Para entrar na Era da Indústria 4.0 é preciso investir mais e melhor em educação”, afirmou o economista Claudio Frischtak, fundador da consultoria InterB, durante painel sobre a competividade e a produtividade da indústria nacional. Ele ressaltou que não há como falar em Indústria 4.0 sem avançar na agenda industrial. “O país tem graves problemas em termos de competitividade, que passa por segurança jurídica, estabilidade, previsibilidade, melhor ambiente de negócios e pela questão tributária, entre outros”.

Para ele, o Brasil não avança na inovação porque os custos e os riscos são altos. Além disso, falta capital humano. “Se em longo prazo temos de investir em educação, no curto prazo precisamos de uma reforma no âmbito imigratório, para facilitar a entrada de pessoas qualificadas. O Brasil tem a menor participação de estrangeiros na força de trabalho do mundo. É um país ainda muito fechado.  Não só não atraímos, como colocamos obstáculos para a entrada desses profissionais”, ponderou

Ele sugeriu zerar os impostos na aquisição de serviços para importar conhecimento. “Temos impostos elevados para importar conhecimento, entre 45 e 50%, quase um recorde mundial. Abrir a economia é fundamental. As empresas estão muito isoladas. Para romper esse isolamento é preciso colocar fim no protecionismo”.

Desafios e estratégias para o desenvolvimento da Indústria 4.0 – Durante o evento, a diretora de inovação da CNI, Gianna Sagazio destacou um estudo inédito feito pela entidade, o “ Indústria 2027: riscos e oportunidades para o Brasil diante de inovações disruptivas”, iniciativa da CNI, do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), com execução técnica dos institutos de economia das universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Estadual de Campinas (Unicamp).

O trabalho levou 14 meses para ser concluído e traça como metas identificar os impactos de tecnologias disruptivas no horizonte de cinco e dez anos. Além disso, ela avaliou a capacidade do sistema empresarial brasileiro de enfrentar riscos e aproveitar oportunidades dessas inovações, e de prover insumos para o planejamento estratégico das empresas.

Já o economista Ricardo Amorim destacou o ritmo das mudanças tecnológicas como um desafio a ser enfrentado no contexto da indústria 4.0. Segundo Amorim, a velocidade com que as alterações de tecnologia vêm ocorrendo é cada vez mais acelerada. “As mudanças sempre ocorreram, porém não na velocidade no qual vem acontecendo hoje. O nosso país pode encarar isso como um desafio ou aproveitar essa nova onda,” destacou. O especialista ainda pontuou que o Sistema Indústria tem papel preponderante nesse novo contexto, “ o incentivo à inovação e tecnologia, além do ensino técnico podem ser trunfos para um futuro mais promisso para o Brasil”, finalizou.

Confira as apresentações dos palestrantes

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