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Investimento em ergonomia gera maior produtividade

O Centro de Inovação SESI em Ergonomia desenvolve projetos para apoiar as empresas na criação de uma cultura preventiva

Investir em ergonomia pode aumentar em até 20% a produtividade da indústria. O percentual vai depender da natureza do processo produtivo e das ações ergonômicas desenvolvidas. “Desde os anos 90 ergonomistas nos EUA já apresentavam casos de sucesso demonstrando ganhos em produtividade refletidos em diminuição de acidentes, afastamentos, adoecimentos e retrabalho”, diz a gerente do Centro de Inovação em Ergonomia do SESI, Carla Sirqueira.

Segundo ela, é necessário fortalecer a compreensão de que as análises ergonômicas devem resultar não somente na confecção de um documento, mas uma base nas tomadas de decisões assertivas sobre as intervenções.

O CIS- Ergonomia faz parte da rede de 8 Centros de Inovação SESI nos temas de segurança e saúde. O CIS –Ergonomia está situado no CIT SENAI FIEMG, em Belo Horizonte, vem desenvolvendo projetos em conjunto com o universidades, em rede com os demais centros do SESI e SENAI, para acelerar o desenvolvimento de inovações no tema e apoiar as empresas na criação de posto e processo de trabalho isentos de risco ergonômico. “O ideal é projetar o processo produtivo com a aplicação dos conceitos de ergonomia, não sendo possível, o próximo passo para a empresa é identificar o problema e medir o quanto ele é prejudicial ao trabalhador e à produção. A partir da identificação do risco, implementamos as melhorias”, explicou.

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Um projeto piloto está sendo realizado com a MRS Logística, concessionária de transporte ferroviário de cargas da Malha Sudeste, em parceria com a instituição Holandesa TNO. O método utilizado nas empresas holandesas foi adaptado para indústrias brasileiras.

Segundo o gerente de manutenção de vagões, Mateus Rabelo, as mudanças já estão apresentando reflexos no índice de absenteísmo na empresa. “Estudamos as atividades consideradas mais críticas, pensando nas pessoas que executam as tarefas”, diz.

Foram feitos ajustes e mudanças em muitos postos de trabalho. “No corte de chapas, por exemplo, trocamos o maçarico por plasma. Foram feitas adaptações nas rotinas evitando que o trabalhador fique muito tempo agachado ou com a coluna dobrada. O objetivo é propiciar mais segurança, saúde e conforto para os colaboradores”, diz.

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Na Gerdau, Marlon Caldeira Gomes conta que o trabalho envolveu toda a equipe do processo. “As pessoas puderam fazer contribuições e as ponderações foram todas levadas em conta no desenvolvimento das soluções ergonômicas”, diz.

Uma das melhorias foi feita no processo de embalagem de material laminado. “Hoje os empregados fazem menos esforço físico na execução da amarração dos feixes e na busca de insumos”, exemplifica.

Segundo ele, o envolvimento da equipe despertou o senso crítico das pessoas para as demais atividades. “Todos estão buscando melhorias contínuas para tornar a rotina menos cansativa. Muitas vezes não precisamos de grandes investimentos para mudar uma condição. A simples organização de insumos, trazendo-os para mais próximo ao processo faz uma grande diferença de conforto”, diz.

As doenças do sistema osteomuscular são responsáveis por 34% dos afastamentos do trabalho por mais de 15 dias no Brasil. Elas perdem apenas para as lesões e traumatismos. Os dados são do Ministério da Previdência Social.

O Centro atua nos fatores que geram redução de produtividade relacionado ao desempenho humano e afastamentos osteomusculares, propiciando ambientes de trabalho favorável a segurança e saúde do trabalhador. É possível projetar situações de trabalho atendendo aos requisitos da ergonomia, identificar e corrigir situações de riscos nos processos produtivos e gerir os indicadores e resultados das ações, em indústrias de todos os portes e áreas de atuação.

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