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Vinicius Dantas é o novo presidente da AMIP

Confira entrevista do novo presidente à Revista Amipão

Depois de ocupar cargos políticos e a vice-presidência do SIP e da AMIP, Vinicius Segantini Dantas assumirá a presidência da AMIP, engajado em fortalecer o segmento e incentivar o diálogo entre panificadores e empresários de outros setores. “Precisamos nos unir e trabalhar pela otimização de processos e qualificação de mão de obra”, declarou à Revista Amipão, em entrevista que você confere na íntegra abaixo: 

Revista Amipão: Você já ocupava cargos de vice-presidência da AMIP e no SIP. Como surgiu a ideia de se tornar presidente da AMIP?
Vinicius Dantas: Fui diretor por várias ocasiões, e também vice-presidente da entidade. A escolha de meu nome para a presidência da AMIP foi um consenso da diretoria. Os diretores me perguntaram se eu aceitaria, tanto do sindicato quanto da associação, e eu achei que era um momento interessante para assumir esse desafio.

RA: Em que as experiências anteriores agregam ao posto atual que você ocupa?
VD: Eu tenho 30 anos no setor, sou panificador há 30 anos e era vendedor de matéria-prima para o segmento. Tenho um histórico de mais de três décadas na panificação. Eu tenho bastante conhecimento do assunto, sempre fui muito ligado à loja. Comecei com 15 funcionários, hoje, tenho 180, e militei bastante pelas nossas causas.

Fui vereador e conheci as dificuldades da panificação em atravessar momentos de crise e melhorar o mercado. Fiz, inclusive, uma audiência pública sobre os balaieiros, os ambulantes que hoje se modernizaram e trazem uma série de problemas para diversos segmentos, principalmente do ponto de vista da concorrência desleal. Os ambulantes vendem pães e biscoitos, de porta em porta, sem peso, sem as exigências legais nacionais. São produtos à base de creme e de carne com exposição ao sol, comprometendo a qualidade e a saúde.

Em minha atuação na Presidência, pretendo melhorar a concorrência na panificação que, diante de quadros como esse, é desleal. Minha proposta é cobrar do Executivo uma ação para poder igualar as cobranças para os ambulantes. Há projetos de lei sendo discutidos nesse âmbito e pretendo acompanhar e ouvir os panificadores sobre o tema também.

Em resumo, meu conhecimento do setor é antigo, passou pela vida pública e agregou experiências no meio político, e eu acho que isso pode colaborar bastante com o crescimento da panificação agora.

RA: Em sua visão, qual a avaliação do trabalho desenvolvido pela AMIP hoje?
VD: Acho que foi um bom trabalho, uma gestão bastante atuante, com muita representatividade política.

RA: O que deve ser o trabalho da Associação na sua gestão?
VD: Pretendo dialogar mais com o segmento e melhorar o relacionamento com outras associações. Temos muitos problemas em comum. É possível fortalecer laços com o CDL, com a Abrasel, que compartilham conosco desafios como a questão dos ambulantes, mesas nas calçadas, horários e turnos de trabalho dos funcionários e sonorização.

A qualificação da equipe também sofre impactos nesses outros segmentos. Quero abrir um diálogo com essas outras associações e discutir com o Executivo com mais representatividade, em nome de empresários e não de segmentos.


RA: Quais os principais desafios que a panificação enfrenta na atualidade?
VD: Temos uma concorrência muito desigual e temos um problema muito sério com a baixa produtividade da nossa mão de obra. Temos equipamentos com custos elevados também. E muitos outros segmentos vendendo produtos que a panificação fabrica.

Se a panificação não tiver nenhum trabalho de governo, um aporte, em favor do setor, como uma linha de crédito, um incentivo produtivo, ficará cada vez pior. Quero discutir isso no meio político: linhas de crédito melhores para podermos ter as mesmas condições de trabalho que outros segmentos que têm mais facilidade em captar recursos no mercado. A panificação ainda tem muita dificuldade.

RA: Quais suas orientações para superar esses desafios?
VD: Decisões político-econômicas vão dar condições aos panificadores de competirem melhor nesse mercado. Fortalecimento do segmento é preciso, principalmente buscando linhas de crédito para investimento. Inclusive já estou fazendo uma discussão com a Caixa Econômica Federal, para dentro da entidade, para termos um capital melhor, com juros melhores. A Caixa já tem uma linha nesse sentido, mas fica nas agências. Às vezes, o pequeno empresário da panificação não chega até essa oferta.

Vamos discutir também novos arranjos produtivos, como fizemos no período da Copa do Mundo, por exemplo, adequando segmentos para as necessidades do mercado. Acho que a panificação precisa discutir isso em nível federal, uma maneira de capacitar o segmento, uma capacitação mais abrangente.

RA: Qual a diretriz principal de seu mandato, o que você considera seu norte estratégico?
VD: Pretendo fortalecer o segmento e trabalhar representatividades. Batalhar por uma central de compras que possa dar melhor capacidade de compra junto a fornecedores e trabalhar a nossa produção num custo mais barato, oferecendo ao mercado melhores condições de compra também.

RA: Como Presidente da AMIP, como o Sr. avalia a valorização da temática da produtividade e sua relevância para o crescimento da panificação?
VD: Acho muito positivo o fortalecimento desse debate, não é só uma questão exclusiva da panificação, nem um problema só da nossa mão de obra. É um problema da mão de obra brasileira. Um dos grandes desafios que o Brasil tem pela frente é aumentar a produtividade. Inclusive, a reforma trabalhista se deu exatamente para que a gente consiga fazer com que a mão de obra brasileira seja mais produtiva. Acho muito positivo esse debate, com certeza é o que mais precisamos hoje, é a questão maior do Brasil.

RA: Como o Sr. avalia o mercado atual em Belo Horizonte e região? Quais os pontos fortes dos projetos já desenvolvidos em Minas? Para onde caminhar?
VD: Nosso mercado é sensacional, o treinamento é um ponto forte, a feira tem sido um sucesso e acho que caminharemos pelo fortalecimento do segmento, que hoje está muito desunido.

Nós prestamos hoje uma enormidade de serviços à sociedade e precisamos nos qualificar para isso. Hoje, a panificação não é venda apenas, é prestação de serviço. Temos que qualificar todo mundo. A comida fora do lar, a praticidade de consumo, isso tem exigido muito e nós estamos com muita necessidade de mão de obra qualificada para esse tipo de prestação de serviços. A comida chinesa e japonesa, por exemplo, é uma demanda forte e não se acha esse profissional. A própria gastronomia é uma demanda de mercado, até o padeiro é uma demanda crescente e precisamos formar mais profissionais.

O segmento panificação em Minas Gerais tem que apostar na qualificação de mão de obra. Temos que qualificar mais as pessoas. Por isso, na minha gestão, vamos trabalhar para ofertar cursos mais duradouros, que vão qualificar o profissional que já está na panificação. Não é apenas formar o ajudante, o aprendiz, mas qualificar nossos próprios profissionais.

Hoje, nós temos massas de fermentação natural, que é um investimento que a panificação está fazendo. O próprio sistema de congelamento precisa ser discutido um pouco mais. Percebo que o congelamento está sendo mal utilizado, não foi feito para estocar, ele é simplesmente um meio de fazer uma mudança do fluxo de trabalho, ou seja, você não tem o turno da noite, faz o descongelamento e abastece a sua unidade mais cedo. É isso que estamos precisando: abastecer as nossas lojas mais cedo.

Você chega em uma padaria pela manhã e só vê pão de sal e pão doce. Só à tarde é que a padaria está cheia, com variedade. Pela manhã, ela deixa a desejar. E o congelamento surgiu para isso, inversão do processo produtivo. Estou vendo muita gente estocando pão congelado e acho que esse não é o caminho, congelamento não foi feito para isso. Vamos trabalhar muito.

Também há espaço em Minas Gerais para aumentar a oferta de chapa, sanduíches… A panificação levou para dentro dela uma série de coisas, como parte do sacolão, a comida para dentro do estabelecimento, o café da manhã que já tira as pessoas de casa, em busca de rapidez e praticidade. E tem muito mais coisa que podemos levar ao consumidor, como a comida saudável, que atende a um público muito interessado em alimentação natural, orientada por nutricionistas. Podemos prestar esse serviço e melhorar a experiência de consumo na padaria de acordo com esse estilo de vida mais saudável. Não podemos oferecer só pão de queijo e cafezinho, é preciso oferecer mais do que isso, uma salada de frutas, um iogurte natural, um suco verde. Ou seja, serviço!

RA: Qual a sua mensagem para os panificadores e empresários do setor? O que podem esperar do período em que estará à frente da AMIP?
VD: Acho que os novos tempos exigem mais. É preciso investimento nas pessoas e nos negócios. Precisamos unificar os nossos esforços, apoiar quem nos apoia, e criar unidade que nos fortalece perante o mercado. O que os panificadores podem esperar é bastante trabalho e dedicação. 

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