Palavra do Presidente

20/12/2018

Brasil aprova Sistema S

Flávio Roscoe Nogueira

Composto por nove entidades ligadas aos setores produtivos brasileiros – comércio, agropecuária, transportes, micro/pequenas empresas e indústria –, o Sistema S acaba de ser aprovado pela sociedade brasileira em pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Com resultados notáveis e formado pelo SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEST, SENAT, SESCOOP (cooperativismo), SENAR e SEBRAE, o Sistema S atua prioritariamente nas áreas da educação básica, ensino profissionalizante, Saúde e Segurança no Trabalho (SST) e qualidade de vida do trabalhador brasileiro em todas as regiões do país.

Milhões de brasileiros foram beneficiados por essas instituições ao longo de suas vidas. As mais antigas estão com quase oito décadas de existência: o SENAI foi fundado em 1942 e o SESI, em 1946 – ambas vinculadas à CNI no âmbito nacional e às federações de indústrias nos estados. A pesquisa divulgada pela Confederação nesta semana confirma o reconhecimento dos brasileiros à essencialidade do Sistema S e das instituições que o integram, além de reafirmar a qualidade em nível de excelência dos serviços que prestam à sociedade.

Mesmo com todo esse acervo de realizações, o Sistema S acaba de se transformar em alvo de ameaças que colocam em risco a sua própria existência. Em nome da necessidade de redução da carga tributária, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, diz que é preciso “meter a faca no Sistema S”. Todos concordamos que é preciso reduzir a carga de impostos, mas não se pode fazê-lo cometendo equívocos e manipulando informações: os recursos do Sistema S não são impostos e também não são fornecidos pelo governo. São contribuições das próprias empresas e destinam-se a financiar educação básica e profissionalizante para os trabalhadores.

Guedes tem e terá sempre o apoio do setor produtivo, muito especialmente o apoio da indústria, em iniciativas destinadas a recolocar o país no rumo do crescimento sustentado. No entanto, “meter a faca no Sistema S”, certamente não se inclui nesse rol de iniciativas. O resultado da pesquisa recém-divulgada pela CNI deixa claro que quem conhece o Sistema S aprova e defende suas ações. Entre os entrevistados que afirmam conhecer bem as instituições, 94% consideram o SENAI, que atua na educação profissionalizante, em inovação e tecnologia, ótimo ou bom. E 93% têm a mesma opinião sobre a atuação do SESI nas áreas da educação básica, cultura, esporte, responsabilidade social, saúde e segurança.

Financiado e mantido com recursos das empresas industriais, o SENAI é um dos cinco maiores complexos de educação profissional do mundo e o maior da América Latina. Desde 1942, formou mais de 73 milhões de trabalhadores em todo o país e, apenas em 2017, realizou 2,3 milhões de matrículas. Em Minas Gerais, são 78 unidades em 63 municípios, o que significa dizer que estamos presentes em todas as regiões do estado. Neste momento, estamos preparando quase 100 mil estudantes para a indústria mineira e brasileira. Somente neste ano, o SENAI MG formou mais de 55 mil trabalhadores.

Indo muito além dos resultados que gera no ensino profissionalizante, o SENAI tem forte atuação no campo da inovação e do desenvolvimento de tecnologia. Com o Sistema de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo (SITE), conta com 14 unidades de pesquisa e desenvolvimento voltadas para o atendimento à indústria mineira em diferentes regiões do estado. Faz parte do SITE o Centro de Inovação e Tecnologia (CIT) SENAI/FIEMG, um dos maiores do país. Ao todo, são oito institutos: cinco de Tecnologia e três de inovação. Também estão no CIT o Laboratório Aberto SENAI FIEMG e o FIEMG Lab 4.0, visando apoiar o desenvolvimento de startups.

O SESI apresenta, igualmente, resultados relevantes. Em 2017, realizou-se cerca de 1,6 milhão de matrículas em educação básica regular, educação continuada e educação de jovens e adultos (EJA) a trabalhadores e dependentes. Mais de 50 mil indústrias foram atendidas com programas de SST, beneficiando 4 milhões de pessoas. Em Minas Gerais, o SESI mantém 38 escolas, com mais de 15 mil alunos. No Enem 2017, as escolas SESI MG se posicionaram entre as de melhor desempenho no país. O SESI MG também oferece à sociedade cinco centros de cultura, cinco galerias de arte, oito teatros e o Museu de Artes e Ofícios, localizado na capital mineira. Este ano foram atendidos mais de 600 mil espectadores, especialmente trabalhadores da indústria, seus familiares e as comunidades das quais fazem parte. No mesmo período, em 12 unidades, o SESI MG realizou 448 mil atendimentos em SST.

São preocupantes, portanto, as informações de que o novo governo vai cortar de 30% a 50% dos recursos do Sistema S. Os prejuízos serão gigantescos. Em todo o país, será perdido anualmente 1,1 milhão de vagas em cursos profissionalizantes do SENAI e serão fechadas 162 escolas de formação profissional. Serão extintas 498 mil vagas para alunos do ensino básico e da EJA do SESI, que teria que encerrar as atividades em 155 escolas. Será necessário demitir 18,4 mil trabalhadores do SESI e do SENAI (a maioria educadores). E serão cancelados atendimentos em saúde para 1,2 milhão de pessoas. É dramático.

A pergunta é: por que começar destruindo instituições de reconhecida importância para a sociedade, aprovadas pelas ações que desenvolvem e que resolvem problemas graves criados exatamente pela ineficiência do governo e sua comprovada vocação para desperdiçar e gastar mal os recursos que toma da sociedade sob a forma de impostos? “Esfaquear” o Sistema S é um duro golpe contra a educação, contra a qualidade de vida do trabalhador e contra a inovação e o desenvolvimento de tecnologia na indústria. Mais adequado seria, com certeza, atuar sobre o tamanho desmesurado que o Estado atingiu e que o leva a consumir quase 40% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, 40% de tudo que o Brasil e os brasileiros produzem. Além de não fazer o seu dever de casa, o governo atrapalha quem o faz. É isso o que a sociedade brasileira quer?

 

“Esfaquear” o Sistema S é um duro golpe contra a educação, contra a qualidade de vida do trabalhador e contra a inovação e o desenvolvimento de tecnologia na indústria.

Palavra do Presidente

Flávio Roscoe Nogueira
Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – Sistema FIEMG

Publicado no jornal Estado de Minas do dia 20/12/2018

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