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SINDMOB fomenta projeto para diminuição dos descartes de MDF

Projeto CACO é realizado em parceria com a UFU, Unesp e Universidade de Lisboa.

O MDF (Medium Density Fiberboard) é composto por fibras de madeira que são aglutinadas por uma substância chamada formaldeído, o formol, como é popularmente conhecido. Nas aulas de química aprendemos que o formaldeído é um dos componentes mais utilizados no mercado de produtos químicos.

O formaldeído é uma substância altamente tóxica e cancerígena, ou seja, quando as marcenarias não fazem o descarte correto das sobras e dos resíduos de MDF, quem absorve o composto é a natureza, nossos rios, solos etc. E mais, cerca de 25% do MDF utilizado no setor moveleiro torna-se resíduo.

Cientes deste contexto, a professora e pesquisadora Juliana Cardoso Braga da UFU (Universidade Federal de Uberlândia) criou o Projeto CACO.  O projeto é desenvolvido em parceria com o SINDMOB (Sindicato das Indústrias de Marcenaria e Mobiliário do Vale do Paranaíba) vinculado a FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), a UNESP (Universidade Estadual Paulista) e a Lisboa (Universidade de Lisboa).

Um dos objetivos do projeto é orientar e estimular os empresários do setor de marcenaria a destinarem corretamente seus resíduos. A coordenadora do projeto, Juliana Braga, explica algumas das principais ações realizadas pelo projeto CACO desde 2015.

“Primeiramente nós fizemos um diagnóstico com as marcenarias para avaliar a produção de resíduos e para verificar onde eles estavam sendo destinados, depois disso, vimos que as empresas precisavam, de fato, de orientação e auxílio, e foi com este intuito que buscamos e conseguimos validar um acordo setorial. Este acordo foi realizado entre a Prefeitura Municipal de Uberlândia, SINDMOB, os representantes das marcenarias e um aterro industrial da cidade. Este acordo que ocorreu em 2017 auxiliou na regulamentação da destinação dos resíduos oriundos das indústrias.” afirmou a coordenadora que é professora do curso de Design da Universidade Federal de Uberlândia.

O acordo setorial fomentado pelo projeto atua na precificação, orientação e fiscalização dos descartes. O convênio estabelecido prevê um desconto de 50% para a destinação dos resíduos no aterro industrial por parte das marcenarias associadas ao SINDMOB. As estimativas apontaram que, com esse desconto, o valor pago anualmente pelas empresas para destinar os resíduos moveleiros de modo correto é menor do que o valor da multa aplicada às empresas flagradas realizando o descarte irregular. Portanto, a destinação adequada de resíduos reduz os impactos socioambientais e é economicamente viável para as marcenarias.

Porque o MDF é o protagonista nas marcenarias hoje?

Segundo a pesquisa da doutoranda e coordenadora do projeto CACO, Juliana Braga, apesar da diversificação, a cadeia produtiva da indústria moveleira no Brasil é historicamente especializada na produção de artigos confeccionados com madeira, por causa da abundância de matérias-primas de origem florestal.

Todavia, em razão das restrições ambientais e legais para a obtenção de madeira maciça, expandiu no Brasil a fabricação de painéis de madeira produzidos com pínus e eucalipto reflorestados. Segundo informações da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), em 2016 a produção de painéis de madeira reconstituída (MDF, MDP, etc.) no Brasil foi de 7,3 milhões de m³, dos quais 86% destinaram-se ao mercado interno. Existem 18 fábricas produtoras de painéis no Brasil e o país ocupa o 8º lugar no ranking mundial dos maiores produtores de painéis de madeira reconstituída. (IBÁ, 2017). No país há um  predomínio no uso de MDF revestido com laminado.

Os fabricantes de painéis disponibilizam os produtos com uma única dimensão, o que dificulta o aproveitamento das placas, e consequentemente, resulta em maiores perdas de material nas marcenarias.

Como é produzido o MDF? Você sabe?

 O MDF (Medium Density Fiberboard) que significa placa de fibra de média densidade, é a principal matéria prima utilizada na fabricação de móveis no Brasil. E como é produzido o MDF? Vamos a um passo a passo:

1-    As toras ou troncos de árvores são primeiramente descascados.

2-    Depois de descascados o material é triturado, resultando em pequenos pedaços chamados de ‘cavacos’.

3-    Os ‘cavacos’ são selecionados para que o tamanho seja padrão e também para que nenhum outro material presente, como elementos metálicos, por exemplo, permaneça no processo.

4-    Os ‘cavacos’ passam pelo desfibrador e para serem transformados em fibra.

5-    Resina (ureia e formol) e cola são adicionados a fibra.

6-    Depois da secagem as fibras vão para a prensagem para gerar, por fim, as chapas de MDF.

Segundo a leide n° 12651 de 2012, é proibido que as marcenarias utilizem matéria prima de matas nativas no Brasil, por isso, entre outros motivos, o MDF vem ganhando cada vez mais espaço.

Cuidar das nossas árvores não significa apenas zelar da natureza, mas também da nossa economia, confira os dados.

Segundo a IBA (Indústria Brasileira de Árvores) o setor de árvores plantadas tem impacto na economia de 6,1% no PIB Indústria, gerando, com isso, 3,1 milhões de empregos diretos e indiretos. Atualmente são 7,84 milhões de hectares de árvores plantadas de eucalipto, pinus e demais espécies  como acácia, araucária, paricá e teca, para os seguintes segmentos: 35% celulose e papel, 13% siderurgia e carvão vegetal, 6% painéis de madeira, 9% investidores financeiros, 30% produtores independentes, 4% produtos sólidos de madeira, 3% outros.

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