Notícia

Tradicional e afetivo, arroz doce poderá ser encontrado nas prateleiras dos mercados em breve

Produto está sendo desenvolvido em parceria com o Centro de Inovação e Tecnologia SENAI (CIT SENAI)

O arroz doce, sobremesa que é pura tradição em Minas Gerais, é um dos alimentos que mais traz memória afetiva, não é? A sobremesa está sempre presente nas reuniões de família, no almoço de domingo ou mesmo na casa da avó.

O arroz doce pronto para consumo, encontrado em gôndolas dos supermercados e sem a necessidade de refrigeração, pode parecer um sonho. Mas, essa realidade está bem mais perto do que você imagina.

A ideia começou a ser desenvolvida em 2018 pelo presidente do Sindicato da Indústria do Arroz no Estado de Minas Gerais, Jorge Tadeu Meirelles. O empresário decidiu aproveitar o subproduto do arroz e transformá-lo no produto inovador, contando com apoio do Centro de Inovação e Tecnologia SENAI (CIT SENAI).

Neste ano, a Condimentos Portuense entrou na parceria para a produção em escala da sobremesa. De acordo com a diretora da empresa, Flávia Gonzaga, neste momento o produto está passando por uma série de modificações para ficar com o sabor do doce da vovó com uma pitada de canela, além de aumentar o seu tempo de validade.

Hoje o produto já está em fase de teste e a aceitação do público é considerada positiva. O teste gustativo realizado no CIT SENAI apontou a intenção de compra em 77% dos 85 consumidores que experimentaram o produto.

Para Flávia Gonzaga, o diferencial foi o processo inovador para a fabricação do arroz doce, de forma que ele possa ser acondicionado em temperatura ambiente, o que facilita a logística e a distribuição do produto. Outro diferencial é a utilização em sua formulação de um subproduto da indústria de arroz para elaboração de um produto de alto valor agregado.

O tipo de leite e do açúcar, a quantidade de cada ingrediente, o ponto do cozimento do arroz, entre outros detalhes que remanejados e testados entre si geraram a receita que já está fazendo sucesso nas degustações.

Foram mais de 30 formulações desenvolvidas para que a cremosidade, textura e coloração fossem atingidas e aprovadas pela equipe envolvida. Para Morgana Zimmermann, pesquisadora líder do CIT, a produção do arroz doce em questão trouxe um desafio tecnológico muito grande em especial porque o desenvolvimento do produto é para que ele não fique na geladeira, e sim, na gôndola comum.

“O arroz degrada muito rápido após ser cozido, e a refrigeração impactaria em custo muito alto, assim, trabalhamos para que o produto ficasse estável em temperatura ambiente,” disse Zimmermann, que tem doutorado em engenharia de alimentos pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

A pesquisadora explica que a próxima fase do projeto inclui a definição da validade do produto. Para isso serão realizados testes microbiológicos e fisicoquímicos em laboratórios.

Dados do setor em Minas

O segmento do arroz faz parte do setor alimentício, que em Minas Gerais, tem um papel relevante na economia. Em toda a cadeia produtiva são cerca de 8 mil empresas, que empregam mais de 180 mil pessoas e tem a participação de 22,3% no PIB industrial mineiro.

O arroz doce é pura tradição em Minas Gerais e na casa vovó e no supermercado.

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