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“Para educar é necessário transbordar”, afirma Cortella em palestra on-line

Filosofo e educador foi o convidado do “Gente Transformando Gente”, da FIEMG

“Nossos profissionais estão se reinventando, com o desafio das aulas virtuais e alunos em situações adversas. Os professores estavam acostumados a lidar com os alunos presentes em sala de aula, todos perto e sob controle. A pandemia nos obrigou a ver o mundo com outra perspectiva e a FIEMG está investindo no treinamento de seus profissionais para que eles possam estar preparados para essa nova realidade ”, afirmou Flávio Roscoe, presidente da FIEMG, na abertura de mais uma edição do Gente Transformando Gente, que é o plano de desenvolvimento da Federação mineira. “Precisamos melhorar, cada vez mais, para cumprimos a nossa missão, que é melhorar a vida de nossos alunos. Eles depositam em nós o que tem de mais valioso, que é o tempo e as perspectivas quanto ao futuro no mercado de trabalho”, ressaltou o líder empresarial, explicando que nos próximos meses, toda a equipe da FIEMG passará por treinamentos.


O evento, on-line, foi realizado no dia 29/06 e teve como palestrante convidado o filósofo e professor Mário Sérgio Cortella, que abordou o tema “Superar, inovar e transformar – Entre o acolhimento e a prática educacional”.
“É um prazer poder dialogar com meus colegas que atuam na área de formação de pessoas”, afirmou Cortella no início da palestra. O filósofo pontuou que estamos vivendo um período de muita turbulência e dificuldades, mas que a atividade de educador é de extrema importância para que todos possam passar por essa crise da melhor forma possível. Entretanto, ele chama a atenção de que é necessário se preparar e não ter medo de admitir a falta de conhecimento.

 

“Não nascemos prontos e o conhecimento é adquirido e construído ao longo do tempo”, disse citando sua longa carreira de professor e todos os processos de aprendizagem que passou em sua vida. “É necessário ter humildade intelectual para não ficarmos em um estado de lamentação. Temos uma realidade, que é difícil, mas não é intransponível. Precisamos aprender a lidar com o desconhecido e com o que não estamos acostumados”, ressaltou Cortella.

 

O palestrante explicou que a palavra aluno significa “Aquele que está sendo alimentado e nutrido” e que é tarefa dos educadores cuidar dessa nutrição sem, porém, se descuidar da própria preparação e busca de conhecimento.

 

Também explicou o que chama de “síndrome do possível” que, segundo ele, é típico do brasileiro. “Quando se pergunta a um brasileiro se ele pode fazer algo, a resposta é sempre a mesma: farei o possível. Precisamos aprender com os norte-americanos, que respondem ‘vou fazer o melhor’”, esclareceu, afirmando que ter atitude é sempre o melhor. “Para educar é necessário transbordar, é necessário ir além e não apenas fazer o possível. É preciso fazer o melhor, sempre”, afirmou.

Para o filosofo, o ato de educar é um ato conjunto, em que se aprende e ensina ao mesmo tempo. “Educar é ceder a luz de sua vela para iluminar a vela do outro. Todos ganham e a luz se faz presente no ambiente”, disse citando seu amigo e companheiro de projetos, jornalista Gilberto Dimenstein, que faleceu em maio deste ano.

 

Para os professores que retornaram, de maneira virtual, às salas de aula, Cortella deixou a seguinte mensagem: “Precisamos estar preparados para lidar com os lutos dos alunos, não apenas o luto pela perda de pessoas queridas, mas também, pela perda de empregos, status e, até mesmo, pelo antigo modo de vida”.

 

“O impossível não é um fato. É apenas uma opinião”, disse afirmando que a a pandemia tirou várias de nossas familiaridades, sendo que a educação pelos meios digitais pode ser difícil, mas não é impossível. “Eu gostaria de não estar vivendo essa situação e você também. Mas por meio da inovação, da transformação e muita energia vamos fazer o melhor como educadores”, finalizou.

 

Mário Sérgio Cortella é um filósofo, escritor, educador, palestrante e professor universitário brasileiro. Cortella é autor de diversos livros, como Felicidade: Modos de usar, debates com Luiz Felipe Pondé e Leandro Karnal, Nós e a Escola: Agonias e Alegrias e A Sorte Segue a Coragem! Oportunidades, competências e tempos de vida.

 

Gente Transformando Gente - O plano de desenvolvimento da FIEMG, Gente Transformando Gente, tem o intuito de contribuir para a qualificação dos educadores, gestores e profissionais que atuam nas Escolas SESI e SENAI de Minas Gerais. “A iniciativa tem como objetivo ter um olhar acolhedor e atento para as demandas da equipe educacional, neste momento que nos provoca a pensar novas formas de ser e de fazer”, afirma Flávia Pereira, coordenadora de Desenvolvimento de Pessoas da Federação. “Diante do novo cenário atípico, com vários desafios e restrições, continuamos com o grande propósito de transformar Gente, com afeto, gentileza e leveza. Mas, antes de transformar o outro, é necessário nos transformar, cuidando de nós e cuidando dos outros”, ressalta. A abertura do plano foi realizado no início deste ano pela escritora e jornalista Leila Ferreira, que ministrou a palestra “Vida, Valores, Educação e Leveza”.

 

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